LI, VI, OUVI, ESCREVI

1963

O ano que nasci tem lá suas particularidades que me deixam satisfeito por serem parte de um cenário que me acolheu na história humana.

Meu aniversário

Nasci numa terça-feira, 19 de fevereiro, oito dias antes do Carnaval. Talvez isso tenha algum significado. Naquele ano de 1963, junto comigo, nasceram: Quentin Tarantino, Johnny Depp, Brad Pitt, Whitney Houston, Willian Bonner e a Xuxa. Todos nós completamos 57 anos, em 2020. Timão! Dá pra jogar futebol de salão, com direito a reserva e considerando que a rainha da voz e a dos baixinhos seriam as madrinhas para animar a arquibancada. Eu escolhi destacar essas pessoas para tentar ter alguma dimensão do que se pode fazer com o tempo de vida que nós temos, só isso. Um cineasta criativo e genial, dois atores que já fizeram a indústria do cinema dar voltas, uma cantora lendária, um jornalista que manda no telejornal mais visto no país e uma moça que já subiu e desceu da fama. Um mosaico interessante. Eu não tive nada de tão especial, mas dei minhas voltas.

Eu tenho um sonho

Foi em 1963 também, em agosto, que Martin Luther King pronunciou aquele discurso famoso: “Eu tenho um sonho”. Essas palavras atravessaram décadas e continuam de grande atualidade na luta por Direitos Humanos no mundo inteiro. Naquele discurso, o pastor dizia: “Agora é o tempo para erguer nossa nação das areias movediças da injustiça racial para a pedra sólida da fraternidade. Agora é o tempo para fazer da justiça uma realidade para todos os filhos de Deus“. Essas palavras soam tão atuais, tão necessárias e tão profundas.

Um cristão no trono de Pedro

Naquele ano também se despedia dessa terra o querido Angelo Giuseppe Roncali, o Papa e Santo João XXIII. Ficamos conhecendo somente a fama dele. Aliás, uma belíssima fama: “Papa bom”. Li, uma vez, que um famoso texto da filósofa judia Hannah Arendet que trazia o título “Um cristão no trono de Pedro” e se referia positivamente a João XXIII cabe como uma luva no que se pode dizer hoje sobre o Papa Francisco: um cristão que fala a outros cristãos. Não que os outros ocupantes daquele trono não tenham sido cristãos, mas esses dois acentuam o básico dos ensinamentos de vida deixados por Jesus.

JFK

Além de João XXIII, faleceu naquele ano também o mítico John Fitzgerald  Kennedy. Tenho até medo de usar o termo “mítico”. Essa palavra anda muito prostituída. Chamam de mito quem não tem coisa alguma a ver com a questão. Um mito é uma figura fantástica. Tanto faz que seja do mundo religioso antigo ou da constelação dos personagens vivos. Kennedy é um mito, nesse sentido. Uma figura fantástica.  Doutor pela Universidade de Harvard, filho de embaixador. Andou pelo mundo. Tinha ideias claras sobre muita coisa interessante. Kennedy marcou o tempo de seu governo incentivando leis que promoviam os direitos sociais e, de algum modo, promoviam a integridade racial.

E ainda: Os Beatles estouravam naquele ano… eita… esse 1963 foi fogo! Fazer aniversário, hoje, me deixa meio perplexo.

Brasília, 19.02.2020

Rafael Vieira