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(3) Perguntas e respostas: O QUE VOCÊ FARIA SE?

Faça sua pergunta sempre começando pela expressão “O que você faria se” e envie para o e-mail: [email protected]

Vou aguardar. Obrigado por participar 

Pe. Rafael, CSsR

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Se pudesse dizer alguma coisa a quem está atacando o Papa Francisco, o quê você diria?

(Izabel Aparecida de Lima, Setor Sul, Goiânia, GO)

A sua pergunta é de grande importância para todos nós, católicos, que procuramos nos esforçar para dar testemunho da nossa fé. A quem ataca o Papa Francisco por qualquer motivo que seja, eu tenho recordado, em primeiro lugar, as Palavras de Jesus no Evangelho: “Não julgueis, pois, para não serdes julgados; porque com o juízo que julgardes os outros, sereis julgados; e com a medida com que medirdes, vos medirão também a vós” (Mt 7,1-2). Papa Francisco tem uma tremenda responsabilidade em suas costas. Ele tem dado testemunho firme de sua adesão a Jesus e de seu amor pela Igreja. Todas as suas atitudes devem ser vistas nessas duas perspectivas. Claro que temos o direito de nos posicionarmos criticamente diante daquilo que o Papa faz e diz, mas antes de tudo, temos o dever de buscar compreender suas iniciativas a partir de fundamentos sólidos e não do que sai na TV ou nas Redes Sociais. E, depois, ainda que tenhamos divergências, em família, na Igreja e em qualquer lugar em que estivermos deve prevalecer o amor, a consideração e o respeito.

Se pudesse dizer algo a alguém sobre o que nossa Igreja como forma de vivenciar a Quaresma: indica o jejum, a esmola e a oração? Como interpretar “dar esmolas” nos dias atuais?  

(Rosemeire de Oliveira, Anápolis, GO)

Prezada Rosemeire. Obrigado por me dar a oportunidade de escrever algo sobre a espiritualidade quaresmal que estamos vivenciando em todo esse mês de março. Confesso que vou buscar emprestado umas palavras de um grande amigo, dom Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus. Ele diz assim: “Os exercícios do cultivo que a Igreja nos propõe, no tempo da Quaresma, são aqueles que abrem nossa pessoa à graça do encontro: jejum, oração e esmola. Jejum: esvaziamento, expropriação, libertação e não privação. O jejum abre nossa pessoa para a receptividade da vida em Cristo. Oração: súplica de exposição na tentativa de ser atingido pela misericórdia. Esmola é partilha, o amor partilhado. Deixar-se tocar pela presença do mendigo que cuida do doador”. Fico, então, com esse ensinamento: dar esmolas, hoje em dia, é muito mais do que acudir alguém que nos estende a mão nas ruas da nossa cidade. Dar esmolas é partilhar o pouco que temos com aqueles que têm menos ainda. Não é uma tarefa isolada e nem somente do tempo da Quaresma, mas permanente, de todos os dias.

Se alguém lhe pedisse uma orientação de como começar a ler a Sagrada Escritura, qual livro da Bíblia você indicaria?

(Tatyane Fonseca, Aparecida de Goiânia, GO)

Ótima pergunta, Tatyane. Como eu desejo receber esse tipo de pedido! E como resposta, eu daria um testemunho: amo ler a Sagrada Escritura! Não decoro capítulos e versículos, não sei localizar textos soltos e não ando com um exemplar da Bíblia na mão, mas tenho grande prazer em escutar a proclamação da Palavra durante a Liturgia da Igreja e me fascina procurar textos para alimentar os momentos de oração. Se alguém quiser ler a Bíblia inteira, aconselharia fazer duas coisas: rezar antes de ler, pedindo a luz do Espírito Santo e não ceder a tentação de sair jogando na cara das pessoas os ensinamentos que conseguir extrair da leitura feita. A Bíblia não foi feita para ameaçar e nem para dividir a comunidade entre quem sabe e quem não sabe. Mantenha a humildade de que há muito que conhecer, mesmo que você já tenha entendido bastante. A porta de entrada para uma leitura profunda da Bíblia, em minha opinião, é o Novo Testamento. E, por isso, sugiro que comece lendo os Evangelhos. E, entre eles, sugiro que comece com o maravilhoso Evangelho de São Lucas.

Quero lhe fazer uma pergunta meio esquisita e delicada: Se você soubesse que iria morrer amanhã, o que você faria?

(Eduardo Rodrigues, Inhumas,GO)

Eduardo, essa pergunta não é esquisita, meu caro, e apesar de delicada, é grandemente necessária. Quem não a faz a si mesmo, precisaria fazer com certa regularidade. Todos nós deveríamos nos confrontar com o nosso fim terreno. Gosto muito de uma história que se contava no meu tempo de seminário e se atribuía a algo real acontecido na vida de São Domingos Sávio. Contava-se que, numa tarde, alguns meninos estavam jogando bola. Um padre se aproximou, chamou um deles e perguntou: “Se você soubesse que daqui a meia hora você ia morrer, o que faria?” O menino pensou, e disse: “Eu ia para a capela rezar”. Chamou outro e fez a mesma pergunta. Este disse: “Eu ia me confessar”. Chamou um terceiro: “Eu ia pedir perdão para a minha mãe”. Chamou um quarto garoto e lhe fez a mesma pergunta: “Se você soubesse que daqui a meia hora você ia morrer, o que você faria?” Este respondeu com naturalidade: “Eu continuaria jogando!”. Acho, sinceramente, que essa é a melhor resposta. É preciso viver todas as experiências dessa vida com toda intensidade e sempre prontos para atender ao chamado de Deus para partirmos para o céu!