LI, VI, OUVI, ESCREVI

A ARTE DA GUERRA de Sun Tzu

A ARTE DA GUERRA – Sun Tzu

Interessantíssimo! Acho que todo mundo que conheço já leu esse livro. Eu tinha um certo fascínio, mas confesso que a ideia de ser um tratado militar me deixava meio desinteressado. Infelizmente, não tenho boas associações com esse tema. Compreendo, agora, que a questão é muito mais profunda e o discurso se aplica a qualquer guerra. Fiquei muito intrigado com a clareza e a objetividade dos conceitos e, principalmente, com a conexão fina entre eles. Um discurso arrebatador. Um ritmo solene, direto, convicto, cheio de certezas intrigantes. Parece até que tudo o que o autor diz, realmente funciona.

Enquanto lia/ouvia, passava pela minha cabeça o que as instituições mais longevas do mundo fazem para sobreviver. Parece muito de acordo com os princípios dos generais, dos ataques, dos terrenos e, principalmente, do que chamam de “inimigo”. Gostei ainda do toque oriental de conhecer a si mesmo, de conhecer o outro e de se deixar conduzir pelas forças do que chamam no taoísmo de Yin e Yang, duas forças distintas que se complementam como o dia e a noite. Aliás, dá pano para manga imaginar “guerras” num ambiente e no outro se levarmos a cabo uma interpretação de realidades com as quais a gente convive todo dia no mundo da comunicação.

Esse foi a minha maior descoberta. Quando disse que estava lendo o livro, um amigo me disse: “essa é a bíblia dos publicitários!”.  E eu não sabia. Que coisa, né? Sempre gostei da publicidade e acho que eu podia chamar de meu sonho de consumo. Se eu fosse dez anos mais novo e tivesse paciência para enfrentar os bancos da escola, publicidade seria o curso que eu gostaria de iniciar bem do começo e apender o “bê-a-bá”. O exercício criativo é uma fúria que me faz sentir muito vivo e produtivo. Acho que eu me daria bem em esquadrinhar situações, campanhas, públicos, produtos.

Esse é o livro que é preciso ler e ler. Estou determinado a comprá-lo em formato cartáceo e já me vejo sublinhando-o quase inteiro com aqueles pinceis amarelos. Há conceitos poderosos, capazes de turbinar soluções de problemas do cotidiano. E arrisco dizer mais: parece ser um interessante considerar a vida como uma “guerra” e observar a eficácia dos valores levantados por Sun Tzu. Depois de encerrada a leitura, na pesquisa que fiz, achei curioso que o livro tenha sido traduzido para o francês pelo padre jesuíta Joseph-Marie Amiot, que vivia na China, e publicado em 1772. Esse padre, antes de morrer em Pequim, em 1793, escreveu a um inglês que o mundo da China era o inverso do mundo ocidental.

Rafael Vieira

Ubook, 18.03.2021