LI, VI, OUVI, ESCREVI

CAIXINHA DE GUARDADOS

Uma querida amiga que completou 100 anos de idade este ano de 2020 me deu uma caixinha de presente.

Olhem o presente que eu ganhei! Uma caixinha para se guardar coisas especiais. Toda trabalhada. Além das laterais ornadas com flores perfuradas, há uma verdadeira obra de arte pintada sobre a tampa. Na verdade, a caixa inteira considerando também o seu interior cuidadosamente forrado com um tecido no mesmo tom. E eu ganhei o presente da própria autora dessa maravilha. Ela a finalizou em 2017, mas neste ano de 2020, essa grande artista completou 100 anos de idade com muito vigor, muita alegria e esbanjando saúde.

No dia 8 de março, dia do seu aniversário, tive a felicidade de presidir uma celebração eucarística em ação de graças pela existência dessa mulher excepcional, ou melhor, como definiu uma amiga que a conheceu recentemente: uma mulher completa! É isso mesmo. Um século de história vividos com muita inteligência, criatividade e trabalho. Ela foi professora inovadora nos inícios da nova capital do Brasil. Deixou sua Minas Gerais e veio construir uma história aqui em Brasília trazendo seus filhos e seu esposo. Quando já tinha os filhos grandes e uma carreira sólida na educação, com mais de 50 anos, foi para a Faculdade e estudou Psicologia.

Na festa de seus 100 anos, essa minha amiga que me deu essa caixinha linda de presente foi homenageada com uma revista trazendo depoimento dos filhos, dos netos, dos bisnetos e dos amigos. Uma de suas duas filhas é a autora do texto que resume sua vida na revista. Ela escreve: “Sua casa está sempre cheia. Quase toda a família vive em Brasília e alguns filhos, a poucos metros de sua residência. As visitas são frequentes. Afinal, são 7 filhos (todos com seus respectivos núcleos familiares), 18 netos e seus cônjuges, 15 bisnetos, sobrinhos residentes em Brasília e muitos amigos, o que deixa o ambiente sempre alegre”.

Ainda assim, essa minha amiga, na plenitude de sua idade, continua a se ocupar. Sua filha confirma: “Não conhece o ócio. Cada hora de seu dia é preenchida: missas, aulas de pintura e de artesanato, visitas aos amigos e parentes, jogos de cartas, inclusive virtuais, leituras, crochês, compras para casa, idas ao banco e, quando sobra tempo, assiste a alguns poucos programas de tv”. E eu acrescento: faz muita arte! Coisas lindas como essa linda caixinha que me deu de presente.

Rafael Vieira, 19 de junho de 2020