NOVIDADES

ELIANE BRUM EM VERSÃO ITALIANA: AS VIDAS QUE NINGUÉM VÊ

Eu amei saber que a minha jornalista predileta está traduzido para o italiano. Destaco o comentário da revista “Internazionale” que a coloca o livro dela ao lado de um livro de um norte-americano.

Para te manter acordado
Goffredo Fofi, crítico
21 de outubro de 2020

William T. Vollmann
I poveri
Fax mínimo, 19 euros

Eliane Brum
Le vite que nessuno vede
Sellerio, 16 euros

É o tédio que assalta quem lê romances estrangeiros ou italianos – alguns gêneros e alguns modelos repetidos indefinidamente e com reivindicações infinitas, e editoras que publicam tudo mesmo quando não vendem nada (se chama, ao que parece, nova economia) – para fazer as pessoas procurarem investigações contemporânea (mais do que os ensaios, para os quais vale a discussão acima, com o agravante do tédio e da presunção acadêmica). Esperançosamente em histórias mais verdadeiras e diretas e na descoberta ou confronto com mundos menos monótonos e mais instrutivos.

Dois livros recentes contam, por exemplo, “os pobres” e são obra do ianque William T. Vollmann, um bom autor, mais conhecido do que merece, uma espécie de volta ao mundo com uma câmera ao lado; e a brasileira Eliane Brum sete anos mais nova que ele, que se contenta em explorar seu país descobrindo “fronteiras”, mas também histórias centrais de igual mal-estar e desespero semelhante.

Nenum dos dois é Kapuściński (Brum é mais sincera, mas menos experiente) e ele realmente sabe conectar o pequeno ao grande, o local ao planetário, mas ambos forçam o leitor, mantendo-o acordado, em comparação com a realidade de grande parte do planeta, com um mundo de famintos e abandonados, de oprimidos e descontentes, também à espera de uma mudança (de uma justiça social) que quase certamente não verão, e não veremos.

Este artigo foi publicado na edição de 1380 da Internazionale

Texto original:

https://www.internazionale.it/opinione/goffredo-fofi/2020/10/21/per-tenersi-svegli