LI, VI, OUVI, ESCREVI

ESQUECERAM A TURQUIA

Na versão online da revista “Famiglia Cristiana” apareceu nesta terça-feira, 17 de setembro, uma denúncia: o conflito e as ameaças sobre a Síria fez a mídia (e o mundo)  esquecer da Turquia que continua vivendo uma situação muito tensa. A matéria tem um título preocupante: “lágrimas do protesto turco” e mostra que Anistia Internacional pede que alguns países, inclusive o Brasil, não forneçam mais bombas de gás lacrimogêneo para a Turquia. leia o texto:

Nos dias de hoje, não se fala mais do que que acontece na Turquia. Como se os protestos tivessem se encerrado. Como se a situação tivesse voltado ao “normal”. Mas a realidade é diferente . A Anistia Internacional pede para elevar o nível de atenção da comunidade internacional sobre todos os países envolvidos no sentido de suspender as venda de gás lacrimogêneo, de veículos blindados e de balas para a Turquia, pelo menos até que as autoridades do país sejam capazes de garantir o direito de manifestação pacífica e à liberdade de expressão. O pedido vem depois de recentes confrontos nos quais a polícia fez uso de grandes quantidades de gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar aqueles que haviam saído para as ruas para protestar, mesmo que, às vezes, saiam com a intenção fazer guerra.

A temperatura aumentou depois de do dia 10 de setembro, quando um manifestante, Ahmet Atakan, morreu em circunstâncias pouco claras: a versão da polícia fala da queda de um edifício, enquanto algumas testemunhas relataram que o homem foi atingido por um cartucho de gás. Por uma cruel ironia do destino, o evento havia sido convocada no sul da província de Hatay justamente para lembrar e pedir justiça pela morte de outro manifestante atingido em junho passado por um outro cartucho de gás lacrimogêneo.

“A polícia turca – disse Andrew Gardner , pesquisador da Anistia Internacional para a Turquia – começou a usar a força excessiva nas manifestações. Portanto, é necessário que todos os países suspendam as transferências de gás lacrimogêneo, motim de balas e veículos blindados, até que as autoridades turcas tomem medidas para prevenir mortes e ferimentos. Apelamos aos governos para tomar uma posição e colocar pressão sobre a Turquia, a fim de respeitar o direito de manifestação pacífica e um fim do abuso da força” .

Alguns números não confirmados mostram que foram oficialmente notificados que a polícia turca iria fazer um pedido extraordinário de cerca de 100 mil equipamento anti-motim , incluindo bombas de gás lacrimogêneo e mais de 100 veículos blindados : o material deve ser enviado pelos seguintes países: Brasil, Coreia do Sul, Índia e EUA. A Turquia tem tido como fornecedores desse tipo de material  outros países como Bélgica , China, Hong Kong , Israel, Reino Unido e República Checa.

De acordo com dados divulgados por uma organização médica turca, desde o início da onda de protestos, pelo menos 8.000 manifestantes foram feridos, entre eles, cinco morreram, três dos quais relacionados com o abuso da força por parte da polícia. E de acordo com algumas estimativas não oficiais a polícia turca até agora usou algo em torno de 130 mil cartuchos de gás lacrimogêneo, muitos deles de forma inadequada, de modo levar perigo para a vida dos manifestantes.

“Há alguns meses de distância – disse Gardner – , as autoridades turcas ainda têm de realizar investigações independentes e imparciais sobre o uso maciço e excessivo da força pela polícia contra manifestantes pacíficos em Istambul e outras cidades do país . ”

Foto da revista

www.famigliacristiana.it

Rafael Vieira, 18.9.2013