LI, VI, OUVI, ESCREVI

“EU ME IMPORTO”

Eu me importo – Filme da Netflix

Pela personalidade da moça loura, achei que seria um grande filme. Pelo discurso “maldoso” do início, achei que seria um psicologicamente denso. Pela apresentação da trama achei que ia ver uma coisa inesquecível. Nada disso. Tudo tão clichê que eu quase adivinhava a próxima cena. E tão moralista que o final tornou-se óbvio: a luta do mal contra o mal também tem vencedores a curto, médio e longo prazo. O fato do casal protagonista ser gay nem mereceria registro. O filme é raso e cheio de furos básicos.

Uma curadora de idosos mau-caráter que se mete numa história absolutamente sem pé, nem cabeça. A segunda parte da história dá uma vontade enorme de desistir e não ver o final. Parece aquelas histórias de super-heróis que nunca são atingidos pelas balas, tem uma força colossal e saem das piores situações. Os conflitos do enredo são resolvidos sem nenhum tipo de criatividade, apenas escorrem para uma nova situação meio morna, sem nenhum tipo de linha emocional.

O moralismo está presente em cada uma das falas. No final, um novo discurso moralista. Um acontecimento que pareceria confirmar a “maldade” do mal se torna uma lição para o expectador ter que pensar muito nunca cair em tentação. O Cinema já tratou o mal com mais seriedade e classe. Esse filme, para mim, se equivale àquelas histórias de verão que você gasta seu tempo e lembra que a coisa toda aconteceu meio assim, meio assado, mas nada parece relevante.

E mais: acho que o roteirista e Diretor, J Bleikson, pensa que o público é imbecil ou nunca sentiu dor de dente na vida. Ver aquela moça arrancar o próprio dente com a mão e sem dificuldades, continuar na sua elegância e depois recoloca-lo vestida de homem me pareceu algo absolutamente surreal. Se há simbolismo nisso, confesso que não fui capaz de captar. Sabe por que? Porque tive muita dor de dente quando era criança. Não tive nem o prazer de apreciar a atuação da britânica Rosamund Pike, a loura cheia de personalidade.

Rafael Vieira

Netflix, Goiânia, 02.03.2021