LI, VI, OUVI, ESCREVI

IGREJA E FUTEBOL: “A PARTIDA DO PAPA”

Está meio atrasado, mas não se perde oportunidade como essa. A revista “Credere”, do grupo de periódicos dos Paulinos italianos, no último número do mês passado (25 agosto 2013) trouxe duas matérias muito interessantes que tratam de um assunto incomum nas revistas católicas: o futebol. O personagem da capa é o padre salesiano Aldo Rabino, capelão do “Torino” e a outra matéria conta, em detalhes, como foi a audiência do Papa Francisco com os diretores, técnicos e jogadores da Argentina e da Itália que fizeram um amistoso simpático como o título de “A partida do Papa”. A revista é publicada em papel jornal.

PADRE ALDO DO TORINO

“Faço gol com o evangelho”, é o que diz padre Aldo tendo sua muito ligada ao esporte, uma vez que antes de entrar para o seminário, foi jogador de futebol do time que assiste espiritualmente há 42 anos. Ele brinca que nunca foi oficialmente nomeado para ser o capelão, mas pelas informações sobre a intimidade com que trata dirigentes e jogadores e pela longa história de trabalho, sua função é mais do que consolidada, apreciada e reconhecida, inclusive pelos torcedores. “Desde 1984, antes de todas as partidas em casa do ‘Toro’, celebro a Eucaristia na concentração dos jogadores e dos membros da equipe técnica e dos diretores”, afirma.

O relacionamento com os jogadores, o padre Aldo assume como algo primeiro pessoal e só depois torna-se religioso, porque esse tipo de aproximação, na opinião dele, “deve ser desinteressado e não-invasivo, também porque são os próprios jogadores que me procuram”. O salesiano reconhece, no entanto, que está cada dia mais difícil o contato com os jogadores porque “os rapazes têm sempre menos tempo. Acaba o treino e já correm pra ir embora e mesmo na concentração, às vezes, tendem a isolarem-se com a música e a internet. E depois, antigamente os jogadores permaneciam aqui durante anos e eu tinha tempo de conhece-los, mas hoje muitos jogam apenas uma estação ou somente por alguns meses”.

Há uma capela no CT do Torino, mas é complicado, diz padre Aldo, aproximar os jogadores do Evangelho. “Eles são, em geral, muito supersticiosos. Por exemplo: alguém não vem a missa essa semana se na anterior ele não tinha vindo e marcou um gol. O que é ainda mais difícil, sobretudo, é que esses rapazes temem muito a opinião dos outros. Muitas vezes não participam dos momentos de oração porque têm medo do que vão dizer os companheiros ou no que vai pensar o treinador”. O salesiano considera que esse esforço de superar essas dificuldades trona-se o seu “jogo” pessoal que ele procura vencer todos os dias. Padre Aldo não vive somente para o Torino, mas trabalha com muito empenho em paróquia onde tem grande compromisso social. Ele já foi missionário na América Latina.

A EMOÇÃO DOS JOGADORES

As notícias sobre a audiência do Papa Francisco com as seleções da Argentina e da Itália não deram o clima do encontro e um detalhe do encontro que é contado pela revista dos Paulinos. O texto conta a cena da seguinte maneira: o técnico Prandelli sorria. Buffon, o goleiro, chegou a comentar: ‘Com um Papa assim é mais fácil tornar-se uma pessoa melhor porque ele nos indica o caminho, aquece o coração e faz tremer a alma’. Messi, ao contrário, ficou em silêncio. O bomber argentino levantou os olhos para o Papa, mas não conseguiu dizer-lhe coisa alguma. Balotelli pediu e conseguiu falar, às sós, com o Papa. O que os dois falaram ficou em segredo, mas todos puderam constatar como o bad boy, imperturbável e infantil, ficou emocionado”. Logo depois do encontro, Balotelli escreveu em seu twitter: “Obrigado, Papa Francisco. Obrigado por aqueles 5 minutos”.

Ao saudar os jogadores argentinos que o apertava para os abraços, registra a revista, o Papa acabou afirmou: “Aqui no Vaticano me dizem que sou indisciplinado, mas agora todos podem ver de qual povo eu venho”. E, para terminar, o Papa tomou o lugar de um verdadeiro jogador e fez um pedido pelo seu “campeonato”: “Rezem por mim, para que também eu, no ‘campo’ onde Deus me colocou, consiga jogar uma partida honesta e corajosa pelo bem de nós todos”.

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OUTROS ASSUNTOS

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O SANTUÁRIO MAIS ALTO DA EUROPA

A revista traz também uma matéria longa e bonita sobre a peregrinações em lugares altos com vários exemplos e mostrando cenas de celebrações nas alturas. Um dos participantes dessas caminhadas diz que é bom rezar em lugares assim “porque está mais perto de Deus”. Entre esses lugares, destaca-se o Santuário da Santa Cruz de Latzfons, no alto região italiana do Tirol, considerado o mais alto da Europa.

CAPELÃO DE AEROPORTO

Padre Ruggero Camagni é capelão do aeroporto de Milão, Malpensa. Ele desenvolve seu trabalho pastoral com 12 mil trabalhadores e 30 mil passageiros por dia. Na capela do Terminal 1, realizam-se batizados e confissões. Padre Camagni diz que muita gente se confessa no aeroporto porque tem medo de voar e acha que pode estar fazendo a última viagem da vida.

JORNALISTA ESPORTIVO

A última página da revista é ocupada por um comentário espiritual de um jornalista esportivo, Carlo Nesti. Nessa edição, ele lembra a Jornada Mundial da Juventude no Rio, relfete sobre uma dos discuros feitos pelo Papa Francisco e usa uma linguagem interessante para concluir o texto: “O essencial, conservando na memória as imagens, seria transformar as emoções em convicções porque não se deve viver somente de adrenalina. Como uma chama que não poderia durar apenas uma semana, mas não apagar-se nunca”.

** As fotos parecem sem qualidade, mas conforme a informação dada, a revista é publicada em papel jornal.

Rafael Vieira,08.09.2013