LI, VI, OUVI, ESCREVI

ISRAEL “MORRE” DE MEDO DO IRÃ

A revista “Panorama” desta semana, do grupo italiano de centro-direita de Silvio Berlusconi, traz uma matéria bem pró-Israel, mas vale a pena ser lida por mostrar os medos de Jerusalém a respeito do Irã. Leia:

Cenário Mundo

Israel: o mundo visto por Benjamin Netanyahu

Chegando ao seu terceiro mandato, depois de grande esforço para formar o governo de coalizão, o Primeiro Ministro de Israel Benjamin Netanyahu organizou uma intensa ofensiva diplomática e midiática para relançar seus objetivos políticos. Acima de todas as preocupações, aparece sempre o Irã.

Panorama, 6.11.2013

“Rohani só é a o rosto sorridente de Khamenei, o supremo guia”

Em todas as viagens ao exterior (assembleia da ONU em Nova Iork, em Londres e, mais recentemente, a Roma), Benjamin Netanyahu mostra um gráfico simples aos seus interlocutores, sejam chefes de governo ou jornalistas. De um lado, há uma linha vermelha que vai para cima e indica, a partir de 2005, todos os progressos feitos desde o programa nuclear iraniano até os 23 mil centrifugadores instalados em 2013, dos quais 1.000 são muito avançados. Da outra parte, há uma linha azul que aponta, inexoravelmente, para baixo e assinala os pedidos sempre mais fracos da comunidade internacional.

Somente em 2010,as duas linhas se encontraram. Desde lá, isso não aconteceu mais: “O Irã declarou que estava pronto a renunciar o enriquecimento de urânio em 20 por cento. É irrelevante, porque os progressos tecnológicos permitem ao regime de Teerã de passar dos atuais 3,5 por cento de enriquecimento para 90 por cento no giro de poucas semanas”. Para Netanyahu, que no dia 22 de outubro celebrou seus 64 anos de idade, isso é prova que o regime teocrático quer a bomba atômica a todo custo e que o Ocidente, no seu conjunto, faz muito pouco para impedir esse propósito.

As recentes provas de diálogo entre a administração americana de Barack Obama, 52 anos, e o novo presidente iraniano Hassan Rouhani, 65 anos, não prometem nada de bom. “É difícil que no Oriente Médio, árabes e israelenses entrem num acordo. Sobre o Irã, no entanto, isso é possível. Excetuando a Síria, todos nós temos a mesma convicção que o Irã desestabiliza a região inteira e é um perigo semelhante àquele representado pela Coréia do Norte, na Ásia”, alerta o Primeiro Ministro de Israel que pede o desmantelamento seja do programa de enriquecimento de urânio, sobretudo nas centrais de Isfahan, seja do processo de água pesada que produz plutônio em Arak.

“Ninguém se deixe enganar. Rouhani é somente o rosto sorridente do líder supremo, Ali Khamenei”, adverte Netanyahu, que também destaca as tensões genuínas a favor das reformas presentes na sociedade iraniana. Para o Primeiro Ministro de Jerusalém, não se pode baixar a guarda, principalmente nesse momento: “A economia iraniana está próxima do colapso. Se a comunidade internacional diminuir as sanções econômicas, faz um favor a quem quer construir, o mais cedo possível, a bomba atômica”.

SIRIA: É UM REGIME SOBRE A PROTEÇAO DE TEERÃ

Para o governo israelense, o regime de Bashar Assad acabou. “Existe, na verdade, um regime sob a proteção do Irã, que envia armas e instrutores a Damasco e mobilizou a milícia xiita libanesa do Hezbollah para apoiar Assad”, avalia Netanyahu. “Para todos governantes se coloca um dilema: devemos ajudar a oposição, com tudo aquilo que ela representa, vale lembrar o domínio das franjas da Al Qaeda, ou devemos permitir ao Irã  de tomar o controle total sobre a Síria?”.

PALESTINOS: IRRENUNCIÁVEL RECONHECIMENTO DE ISRAEL

Netanyahu é otimista, mas permanecem firmes as duas prioridades irrenunciáveis de Jerusalém: o reconhecimento da parte dos palestinos de Israel como um estado hebraico e a aceitação de uma presença militar ao longo do Vale do Jordão.

MUNDO ÁRABE: OS TRÊS FRONT DAS GUERRAS FRATRICIDAS

Do Cairo a Riad, estão abertos os três front onde se combatem, frequentemente, guerras fratricidas. De uma parte existe a aliança sunita contra o Irã xiita, guiada pela Arábia Saudita. Um segundo front é representado sempre pelos sunitas sauditas, kwaitianos e dos Emirados contra a Irmandade Muçulmana, apoiada, por sua vez, pelo Qatar: o epicentro desta batalha é o Egito. O terceiro terreno de desencontro está no interior do mundo sunita radical, entre os saalafistas e os jihadistas, e está atravessando o inteiro Islam militante, “cuja a marcha triunfal, porém, não é inevitável”, segundo Israel.

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Foto do blog: falafelcafe.wordpress.com

Rafael Vieira, 6.11.2013