LI, VI, OUVI, ESCREVI

TIEBELÉ TRAZ BELEZA PARA MEU QUARTO

2020 também surpreendeu me trazendo a tona a inspiração de copiar desenhos feitos por mulheres de uma tribo africana de Burkina Faso

Este ano de 2020 foi realmente um tempo surpreendente em quase tudo. Destaco uma surpresa positiva para sair da lista comum das tragédias: descobri que sou capaz de pintar. Na verdade, de copiar. Ainda melhor: de reler, reinterpretar uma pintura. Assim, fica melhor. Descobri por meio de um post de uma irmã muito querida, Rose Rodrigues, professora de Arte, a menção a uma pintura feita por mulheres na região de Tiebelé, em Burkina Faso, na África. Elas pintam suas casas com motivos muito bonitos. Um dos meus sobrinhos, enquanto eu pintava, arriscou dizendo ser pinturas tribais. Pode ser.

Li no sustentarqui.com.br que as casas dessa região são onstruídas com técnicas vernáculas da tribo, suas habitações ocupam uma comunidade que tem pouco mais de um hectare de área e são feitas com uma mistura de argila, palha e fezes de vaca umedecidas, tudo misturado com os pés, formando uma argamassa capaz de criar fortes estruturas. Nas casas são adicionadas várias camadas da massa, mantendo a parede com uma espessura suficiente para suportar tempestades e temperaturas extremas. Paredes mais baixas são usadas ​​como elementos de paisagismo urbano e formam bancos para sentar ou trabalhar.

E mais: Pintadas com barro colorido, pequenas pedras, penas e palha, contam a expressiva história da cultura da antiga tribo. Os motivos podem ilustram tanto objetos da vida cotidiana, como símbolos religiosos e distinguem uma casa da outra. É claro que não reabsorvi esses conceitos e os atualizei. Não seria capaz disso. Mas, fui buscando fidelidade aos desenhos lá de Tiebelé e o número de ripas num quadro de madeira feito pelo irmão caçula, Ronado José Vieira.

O resultado é que ficou bonito. Coloquei sobre uma parede escura que há no meu quarto, em Caldas Novas. Fica registrada, portanto, uma surpresa bacana desse ano. Antes de conseguir essa proeza, tente fazer algoparecido para o quarto lá do convento considerando os 32 anos do meu sacerdócio, mas a coisa não funcionou do mesmo jeito. Nem bonitinho ficou, ficou feio mesmo. Mas, como em arte esses conceitos são relativos, o quadro está lá na parede branca com os anos de 1988 a 2020.