TBT

MINHA AVÓ MATERNA: ADELAIDE CÂNDIDA DA SILVA

Meu TBT desta quinta, 5.11.2020, é uma lembrança que enche meu coração de luz: a figura da mulher mais encantada e encantadora que conheci em toda a minha vida. A senhora do meu horizonte de vida até passar a infância. Minha avó materna, dona Adelaide Cândida da Silva. Minha mãe, dona Lourdes, tem muito dela. Minha vó, no entanto, tinha um brilho tão seu que quando eu era garoto e imaginava que um dia ela pudesse morrer, eu começava a chorar e o coração apertava demais. Cheguei a pensar um dia que depois da partida dela para o céu a minha vida não teria mais nenhum sentido e eu poderia morrer também. Era uma veneração inocente que encontrou numa mulher simples, humilde, discreta o amor maior do meu coração. Ela falava muito quando estávamos às sós, mas preferia sempre o silêncio quando se instalava uma discussão onde muita gente dava sua própria opinião sobre um tema qualquer. Ela observava, ria ou permanecia de semblante quase sem expressão.

Minha vó amava pescar. Eu nunca tive paciência para aquilo, portanto, nunca fui sequer atraído para seus programas prediletos. Soube uma vez que ela teria chorado quando comentou que se morresse, não poderia mais pescar. Eu escrevi num dos meus livros que, depois de saber dessa história, eu passei a ter a certeza de que no céu há muitos lagos piscosos pois minha vó merecia esse prêmio. Ela não tinha medo da morte. Tratava o tema com uma serenidade incrível e não se desesperava com aquilo que para ela, uma mulher de fé sólida, não era o fim. Eu gostava imensamente de ouvir ela falar de qualquer coisa, mas especialmente quando tentava simplificar algo que as pessoas à sua volta tratavam de complicar. Em certa ocasião, quando escutei dizer que os padres não deviam falar de política na Igreja, ela saiu com algo mais ou menos assim: “os padres precisam falar do que importa para a vida das pessoas e a política é importante”.

Dona Adelaide está tão presente no meu coração e eu continuo amando-a de modo muito especial. Tenho-a como santa. Eu sei que ela não foi canonizada, óbvio. Mas, aos meus olhos, ela percorreu o caminho da santidade e a tenho como uma moradora feliz do Reino do céu. Sempre que posso, trago-a para encher meu coração de afeto. Ao pensar nela, minha alma se espalha em contentamento. Ao ver uma foto como essa do TBT quando ela foi nos visitou em Brasília (DF) e me deu a alegria de abraça-la no portão da nossa casa, eu fico rindo à toa. Ela não gostava de sair de casa. Aquela foi uma ocasião raríssima. Bem magrinha, elegante, olhos muito vivos, cabelos meio espetados. Roupas simples e que me faziam crer na verdadeira elegância. Que mulher linda, que mulher maravilhosa, que mulher abençoada! É minha vó. Vó Delaide.