LI, VI, OUVI, ESCREVI

O BRASIL QUE QUEREM ESCONDER

A última edição da revista “Famiglia Cristiana” traz uma história, felizmente, bastante comum na Itália: jovens que se encantam com o Brasil e mudam para o país para dedicam suas vidas aos mais necessitados. Desta vez, o caso é de Marco Roberto Bertoli, que cuida de Meninos de Rua e vive em Barbacena, Minas Gerais. A presidente da Fundação que sustenta o trabalho faz uma denúncia sobre o “Brasil que tentam esconder”. Leia a matéria:

Marco, esperança dos meninos de rua

420 meninos fazem parte da missão “Obra de São Miguel Arcanjo”, em Barbacena, no Brasil

Barbacena, estado de Minas Gerais, Brasil, se localiza cerca de 26o quilômetros do Rio de Janeiro, aqui tem uma missão, a “Obra São Miguel Arcanjo”, na qual os números explicam bem o que significa voluntariado, solidariedade, proximidade. Os meninos internos vindos de toda a região, são 120; os meninos externos vindos da periferia da cidade são 300; os funcionários da Obra são 70; os que são pagos pelo Governo, 30; As refeições distribuídas em um só dia, 1.500; os voluntários com reembolso das despesas de transporte, 30.

Números à parte, é uma história extraordinária de coração e caridade. Uma Associação, a “Padre Pellegrino Onlus” nasceu concretamente em 1998 com um único objetivo de sustentar a “Obra São Miguel Arcanjo”, fundada pelo missionário leigo, Marco Roberto Bertol, um jovem de Brescia, que hoje tem 39 anos e foi para o Brasil com 21 para seguir sua vocação: dar uma esperança de vida aos meninos de rua.

O BRASIL VERDADEIRO QUE PROCURAM ESCONDER

O Brasil do missionário Marco Roberto Bertoli não é aquele do carnaval do Rio ou das famosas praias de Ipanema ou Copacabana. E não é também o Brasil que gasta milhões de dólares para construir ou renovar a infraestrutura destinada a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. O Brasil do Marco é o Brasil que a classe política brasileira procura esconder e que tem tantos recordes tristes entre os quais, o maior número de meninos de rua: 7 milhões de abandonados em uma população de quase 198 milhões. São meninos aos quais a sociedade não dá nada e olhando nos olhos deles, você não vai acreditar, mas são meninos considerados a sujeira da sociedade, sempre na margem de tudo. Somente no ano passado, no Rio de Janeiro, onde recentemente, em julho, o Papa Francisco visitou por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, foram mortos 3 mil meninos de rua.

Marco e seus colaboradores procuram dar a esses meninos, que dormem no meio de pedaços de papelão e cheiram cola para disfarçar o flagelo da fome, uma nova oportunidade de vida, de esperança e, sobretudo, de dignidade humana. Marco sabe bem que ainda não terminou sua tarefa quando conseguiu dar aos meninos um pedaço de pão, um teto, um trabalho, mas para ele é também importante inserir na alma dos seus meninos a caridade: não devem apenas receber, mas também saber doar. Na Obra se ensina também a doar (por exemplo, a força do próprio braço para ajudar as pessoas idosas solitárias), para que esses meninos, depois de terem percorrido o caminho de São Miguel, sejam homens que,  dentro de suas possibilidades, se movimentem para que a vida possa oferecer também a outros desamparados, uma oportunidade como aquela que receberam.

Franca Saccomano, presidente da Associação Padre Pellegrino

Foto da Revista

www.famigliacristiana.it

Rafael Vieira, 3.10.2013