Sem categoria

O QUE VOCÊ FARIA SE FOSSE O JOE BIDEN?

Em primeiro lugar, eu não queria ter uma ideia errada a meu respeito. Por exemplo, dizem que sou católico e, de fato, eu sou mesmo, mas não sou daqueles católicos que merecem o título de exemplar. Basta que qualquer um faça uma pesquisa no Google que vai encontrar situações nas quais tenho feito e falado coisas que contradizem a imagem de um católico fiel. Em todo caso, eu tentaria colar minha vida pública ao Papa Francisco que tem dado uma lição cotidiana ao mundo de como manter um compromisso com a vida digna de todas as pessoas do mundo. Eu não me envergonharia de dizer que a Igreja ao qual pertenço tem um discurso de decidida opção preferencial pelos pobres e faria dessa ideia também um acento significativo no meu modo de ver a sociedade onde vivo, os Estados Unidos. Aqui também há pobres, ainda que o discurso triunfal do sonho americano nao permita que seja dito ao resto do mundo. O povo não tem nem os serviços de sáude e educação gratuitos. Está tudo na mão de quem faz deles um excelente business. E ao defender os pobres daqui, eu fenderia os pobres do mundo inteiro.

Se eu fosse Joe Biden, eu passaria ler mais sobre a democracia que se pratica nos Estados Unidos e acolheria conceitos novos como “racismo estrutural” e “fundamentalismo neoliberal”, pois me ajudaria muito a compreender que essa democracia é bacana e respeitável, mas não coloca todo mundo na roda. Eu me informava com pesquisadores que gastam anos nos bancos das universidades para compreender as mazelas históricas dessa democracia que se diz triunfante. Eu tentaria, por exemplo, de uma vez por todas tentar entender que ser democrático e defender a democracia não se reduz a apenas votar. É preciso ouvir os movimentos sociais e suas lutas dinâmicas além de compreender o universo dos direitos que são negligenciados pelo discurso de uma democracia “sólida” como a nossa.

Na pele de Joe Biden, eu iria descobrir os últimos da sociedade norte-americana e do mundo. E ouvir essa gente que não tem uma vida boa como merecem. Ao invés de prosseguir legoitimando as intervenções militares pelo mundo afora, eu iria conhecer melhor a África e a América Latina. esta última, então, seria a menina dos meus olhos. Antes de tudo, eu queria conhecer o que fizemos de nocivo aos países da América Latina no correr da história. As interferências nefastas, o sustento de ditadores sanguinarios, a sistemática oposição a movimentos com caráter mais socializantes. Eu seria um Joe Biden dos latino-americanos em suas mais legítimas aspirações de soberania e autodeterminação.