LI, VI, OUVI, ESCREVI

O SUCESSO ESTÁ ESPERANDO VOCÊ NO YOUTUBE

Nesta segunda-feira, 23 de setembro, o caderno de Economia do “Corriere della Sera”traz uma matéria interessantíssima sobre o novo Youtube. Fiz questão de traduzir para compartilhar aqui. Pode parecer brincadeira, loucura, mas é um novo mundo de oportunidades que se abre e quem não ficar atento, pode ficar estacionado na história. Esse alerta é tanto pra quem produz, como para quem consome produtos culturais. É para todos.

Novas Mídias:  Youtube formato Hollywood

Tira espaço da Televisão e de outros meios, produz o próprio conteúdo e aí chegam a publicidade e os lucros.

Maria Teresa Cometto

Caderno de Economia do Corriere della Sera, 23 de setembro de 2013

@mtcometto

Em uma garagem da Califórnia, hoje, pode nascer a “Apple” do futuro, mas também o próximo “Dream Works”. Basta colocar juntos: a criatividade de um rapaz ou de uma moça da geração “C” com tecnologias digitais e com a plataforma online de Youtube. Desse encontro pode sair um sucesso com milhões de fãs no mundo inteiro e milhões de dólares de lucro gerados pela publicidade.

Este é o novo modelo de produção e de consumo de vídeo que está revolucionando a indústria televisiva e está mudando os costumes dos expectadores  em todo o mundo. E o melhor é que aquela garagem não precisa estar somente na Califórnia – onde o Youtube nasceu oito anos atrás e continua a ter seu quartel general, independente da Google que o comprou em 2006 – mas pode ser em qualquer lugar onde viver alguém que seja apaixonado por “Criação, Cuidado e partilha de conteúdo em Conexão com uma comunidade”, isto é, quem pertence a geração “C” como foi definida pelo próprio Youtube.

Um novo público

É um publico de adolescentes e jovens que passam menos horas passivamente diante da TV e são obcecados por redes sociais. Assistem muitos vídeos online em várias telas – smartphone, tablete, pc – e eles mesmos colocam online os próprios conteúdos.

No início, eram filmes brevíssimos, com poucos minutos ou segundos, tendo como protagonistas típicos cachorros e gatos em situações engraçadas nas quais os próprios meninos brincavam e se divertiam. De vem quando, um desses vídeos se torna “viral”, quando é visto por milhões de pessoas e leva fortuna para quem o produziu. Basta pensar no fenômeno do “Grampy cat”, o gato carrancudo que totalizou 13 milhões de expectadores e se tornou um marco: o seus produtores acabaram por licenciar até mesmo um novo produto de café, o “Grumpucciono”.

Há três anos, no entanto, desde quando a direção passou para o novo CEO Salar Kamangar – um membro do chamado “L Team”, a equipe de manager mais próxima de Larry Page, o chefe da Google – e do novo responsável global pelo conteúdo Robert Kynel – ex manager de Netflix – Youtube tem dao um passo adiante. Não basta mais conquistar novos usuários para desfrutar de vídeos “virais”. Ele quer também formar uma nova leva de criadores de conteúdos feitos ad hoc para a internet , capazes de fidelizar a própria audiência. Teve início, desse modo, a elaboração de uma estratégia indispensável para atrair os grandes anunciantes publicitários – não interessados em aparecer junto com vídeos inconvenientes  – e para, em seguida, começar a contabilizar o bilhão de usuários já alcançados.

Reorganização

O primeiro passo foi reorganizar o Youtube em canais e por temas – da música às notícias, do esporte aos jogos eletrônicos – inserindo no menu, a opção “inscrever-se” para permitir ao usuário de saber quando os seus produtores de conteúdo preferidos colocam um novo vídeo online. Depois veio a possibilidade de inserir a publicidade no canal compartilhando as entradas (45% do que é arrecadado vai para o Youtube).

A última novidade foi a abertura, no ano passado, de um mega estúdio produção próximo a Hollywood, no ex hangar no qual Howard Hughes construiu o avião 114 Hercules. Esse estúdio se chama Youtube Space LA e hospeda, gratuitamente, os melhores criadores de conteúdo que não só desfrutam do espaço e da tecnologia do estúdio, mas podem participar de seminários para melhorar a qualidade da produção deles e estudar o “Manual do Criador” preparado pelo Youtube. É, na verdade, uma espécie de escola ou incubadora de novos talentos.

A estratégia dos canais

Os esforços de Kamangar e Kynel parecem premiados pelos fatos. Na plataforma online deles estão nascendo redes como Awesomeness TV, especializada em programas para crianças, com um tal número de seguidores que DreamWorks Animation decidiu, recentemente, comprá-la. Outras redes em forte expansão – e nas quais a Google investiu diretamente – são Machinima, dedicada aos apaixonados por videogames e Marker Studios que conta com 25 mil programas, entre os quais  está o “Epic rap battles of history” que teve cada um dos seus episódios vistos por 30 milhões de pessoas.

Com a estratégia dos canais, o cuidado com a inovação e a qualidade dos conteúdos, o Youtube pode agora apresentar-se como um legítimo veículo publicitário, com a vantagem de saber orientar as mensagens para públicos precisos, graças as tecnologias de marketing do Google. Para isto, nos últimos 12 meses, grandes marcas como Unilever e Dodge começaram a comprar spot e hoje os 100 principais anunciantes da América estão presentes no Youtube.

A Google não publica ainda os resultados financeiros sob seu controle, mas segundo um estudo de Barclays, hoje a empresa ganha 3,6 bilhões de dólares com faturamento em Youtube ( num total  geral de 33,8 bilhões), uma cifra que deverá crescer para 4.3 bilhões em 2014, elevando de 15 a 21 bilhões de dólares, o valor da plataforma de vídeos online, dez vezes mais que o preço de sua compra. Um verdadeiro negócio para Page e seus acionistas. Mas também uma boa oportunidade para os rapazes que sonham em se tornar bons e famosos como Steven Spielberg.

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Rafael Vieira, 23.9.2013