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“OBITUÁRIO”: JORNAL COMENTA O FALECIMENTO DE SEAN CONNERY

Retirei um comentário feito no jornal italiano “Avvenire” sobre o ator escocês Sean Connery, falecido no sábado, 31 de outubro. Achei interessante. Talvez você também ache.

Adeus a Sean Connery, ele tinha 90 anos

Alessandra De Luca Sábado, 31 de outubro de 2020
Sean Connery, o lendário ator escocês que foi o personagem cinematográfico mais famoso de James Bond na saga 007, morreu aos 90 anos. Os relatórios da BBC

Sean Connery nos deixou e, para alguns, será mais um motivo para odiar esse horrível 2020. Ele tinha 90 anos, morava muito nas Bahamas e não era imortal, como nos fez acreditar nos dois Highlanders tocados em 1986 e 1991. No entanto, ele se tornou um grande ícone do cinema mundial, sobretudo graças ao personagem de James Bond que interpretou sete vezes, começando com Licença para matar de Terence Young (1962), terminando com o apócrifo Nunca diga nunca de Irvin Kershner (1983), passando por From Russia with Love (1963), Goldfinger Mission (1964), Thunderball: Operation Thunder (1965), One lives only two (1967), A cascade of diamonds (1971).

E pensar que Connery não se parecia com nenhum dos atores que Fleming imaginou como seu agente: Hoagy Carmichel, Noel Coward, Cary Grant, David Niven.

Nascido em 25 de agosto de 1930 em um subúrbio de Edimburgo, Escócia, em uma família humilde, Connery (Thomas, nascido no cartório) aprendeu imediatamente a transformar a necessidade em virtude. Falando da sua infância, ele costumava se lembrar que aos nove, durante a guerra, ele entregava leite em casa e aos treze já havia abandonado a escola. Em seguida, trabalhou como operário, salva-vidas, poliu caixões em uma funerária e aos dezesseis anos ingressou na Marinha enquanto lia Shakespeare, Wolfe, Proust e decidiu se chamar Séan. Alguns anos depois, ele se juntou ao King’s Theatre em Edimburgo como um faz-tudo e inchou seus músculos na academia fazendo musculação. O concurso Mr. Universe em Londres mudará de fato seu destino para sempre, em uma época em que o futebol também parecia uma carreira possível. Em sua vida, ele costumava dizer, sempre aplicou o lema: “Faça o que você pode com o que tem disponível.”

Antes da famosa saga dedicada por Ian Fleming ao Agente 007, ele havia se destacado nas corridas de terror no rio. Então muitos diretores o queriam em roupas reais, como em Macbeth (1961), O Homem que Queria Ser Rei de John Huston (1975) Bandidos da época de Terry Gilliam onde ele interpreta o Rei Agamenon (1981), Robin Hood – Príncipe dos Ladrões por Kevin Reynolds, onde aparece como Rei Ricardo (mas em 1976 ele era o fora-da-lei com um coração de ouro em Robin e Marian, ao lado de Audrey Hepburn), O Primeiro Cavaleiro onde ele encarna o Rei Arthur. “A razão de tantos reis no cinema – disse ele – é que muitas vezes interpretei esses personagens no teatro”. E um Macbeth gostaria de dirigir ele mesmo para a grande tela, já tinha escrito o argumento. Tendo também se tornado um símbolo da independência escocesa, Connery vestiu com a mesma facilidade um smoking e um smoking, coroa e kilt tartan.

Alfred Hitchcock o queria ao lado de Tippi Hedren em Marnie (1964), depois vieram The Red Curtain (1969), The Conspirators (1970), Record Robbery in New York (1971) e dois filmes de Sidney Lumet, Reflections in One espelho escuro (1973) e Murder on the Orient Express (1974). Para dar um novo impulso a uma carreira que correu por caminhos sólidos, mas sem faíscas, ele pensou naquele que se tornará um de seus filmes mais queridos, O Nome da Rosa de Jean-Jacques Annaud, que lhe confiou o papel de Guiglielmo da Baskerville de do famoso romance de Umberto Eco, que o ator teve o prazer de conhecer. Um grande sucesso seguido de um Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por Os Intocáveis, de Brian De Palma, onde ele interpreta o extraordinário Jim Malone, massacrado pelos homens de Al Capone.

Em papéis cada vez mais aventureiros, foi o pai de Harrison Ford em Indiana Jones e Steven Spielberg Last Crusade (1989) e estrela de grandes sucessos de bilheteria como Mato Grosso (1992), Sol levante (1993), In Search of Sorcerer (1994), The Just Cause (1995), The Avengers – Special Agents (1998), Entrapment (1999), Finding Forrester de Gus Van Sant (2000) e The Legend of Extraordinary Men (2003), que marcaram sua última e conturbada aparição na tela grande, compensada por colossais 17 milhões de dólares.

Em 2006, ele anunciou sua aposentadoria, dando a entender, porém, que poderia abrir uma exceção para Spielberg e sua quarta empreitada de Indiana Jones. Seu único trabalho como diretor foi o documentário The Bowler and the Bunnet (1967), sobre a crise nos estaleiros de Fairfield’s Shipyard du Clyde, na Escócia, e sobre as tentativas de enfrentá-la por meio de uma organização de trabalho diferenciada e estruturas de produção inovadoraS.

Texto original:

https://www.avvenire.it/agora/pagine/morto-sean-connery-aveva-90-anni