EDITORIAL

PANDEMIA E POLÍTICA

O chamado mundo “civilizado” olha para o Brasil com um misto de horror e deboche. Alguns analistas levam ao extremo a exploração de nossa situação sanitária e política e outros preferem jogar com a figura do presidente da República em tabuleiros onde cabem Donald Trump, Boris Johnson e Valdimir Putin. A diferença abissal que esses últimos fazem questão de realçar é que os outros são ricos e nós, somos pobres. É um cenário digno de risos se não fossem as necessárias lágrimas. Que coisa horrivel. Dá certo asco. Não das análises, lógico, mas da situação que elas contam e recontam em artigos longos publicados nos principais jornais e portais do mundo.

Política não é lugar para rancores. Toda vez que um políticos governante rancoroso começa agir conforme seu sentimento, tem início o fim do seu governo. Sempre foi assim, mas muitos não aprendem. Política não é lugar de ódios. Toda vez que um político governante entendeu que poderia usar do seu espaço para espalhar divisão, em toda a nossa históriam tanto colonial como republicana, deu tudo errado. Mas, tem gente que ignora esse fato. Aliás, infelizmente, no momento a impressão que se tem é que governantes importantes não tem um pingo interesse na história política do País e nem do mundo. Aliás, parece não ler, não refletir, não pesquisar, não escrever. Parece que certos uns do cenário político atual só tem tempo para bravatas, para obediência aos representantes da força e para um exercício ridículo de ego.

A pandemia não escolhe lugar, não escolhe idade, não escolhe ninguém. Ela vai levando consigo tudo o que pode como ocorre com as águas lamancentas de uma tormenta. A pandemiacai e recai em todo lugar. E além da perplexidade científica, especialmente médica e de pesquisa, a pandemia está deixando, entre nós, um rastro de tristeza e de absurdos. Ela leva pessoas, amores, filhos,pais e amigos e nem dá a ninguém o direito de chorar, de fazer seu luto. Ela é sumária, faz desaparecer e pronto. Ronda em torno dela um clima tão frio que todos parecem se perguntar sobre quem pode ser sua próxima vítima. Até mesmo os chamados “curados” ficam incertos, frágeis, sem muita esperança porque ainda se fala em sequelas, em recontaminação.

Com a política tornando-se o lugar de dança dos doentes de rancor e a pandemia levando nossos sonhos pelos ares, fica muito difícil acompanhar o ritmo das análises. Fica muito complicado situar-se no mundo. Há quem diga que já viramos “párias”. É isso mesmo. O Dicionário define assim: Substantivo de dois gêneros. indiano não pertencente a qualquer casta, considerado impuro e desprezível pela tradição cultural hinduísta [Entre os párias, em sua maioria descendentes de tribos indianas autóctones e insubmissas ao domínio ariano, tb. se incluem os bastardos (pais estrangeiros ou pertencentes a castas diferentes), os filhos de meretrizes e os que cometeram graves infrações contra preceitos sociais ou religiosos.]. E, por extensão: pessoa mantida à margem da sociedade ou excluída do convívio social”. Somos párias.