NOVIDADE

PAPA FRANCISCO: SANTO AFONSO OFERECE UM CAMINHO SEGURO

Sou missionário Redentorista, oficialmente, desde 1985. E sinto um orgulho enorme em pertencer ao grupo que tem como herança espiritual e teológica de Santo Afonso Maria de Ligório, Doutor da Igreja.

Mensagem

Papa Francisco: não apenas conhecimento teorético, mas acolhimento aos mais frágeis
Gianni Cardinale Terça-feira, 23 de março de 2021
O Papa na sua mensagem por ocasião do 150º aniversário da proclamação de Santo Afonso Doutor da Igreja: Santo Afonso, mestre de misericórdia para a evangelização dos que estão longe

A teologia moral “não pode refletir apenas na formulação de princípios, normas, mas deve ser assumida proativamente na realidade que vai além de qualquer ideia”. Assim o afirmou o Papa Francisco numa Mensagem escrita por ocasião do 150º aniversário da proclamação de Santo Afonso Maria de Ligório Doutor da Igreja. Faz isso referindo-se à Evangelii Gaudium para sublinhar que “esta é uma prioridade“, porque “o simples conhecimento dos princípios teóricos, como nos lembra o próprio Santo Afonso, não basta para acompanhar e apoiar as consciências no discernimento do bem a ser feito”. Em vez disso, é necessário “que o conhecimento se torne prático ouvindo e acolhendo os últimos, os frágeis e aqueles que são considerados descarte pela sociedade”.

A Mensagem, assinada e publicada hoje, é dirigida ao Padre Michael Brehl, superior geral dos Redentoristas, congregação religiosa fundada em 1732 pelo santo da Campagna, e moderador geral da Academia Alfonsiana.

Francisco na Mensagem – entrelaçada com citações da Evangelii Gaudium – lembra antes de tudo que o beato Pio IX havia destacado a especificidade da proposta moral e espiritual de Santo Afonso, que ele soube indicar, lemos na bula de proclamação de 23 de março de 1871, “o caminho seguro no emaranhado de opiniões conflitantes de rigorismo e frouxidão”.

Cento e cinquenta anos «deste jubiloso aniversário», escreve o Papa, «a mensagem de Santo Afonso Maria de ‘Ligório, padroeiro dos confessores e moralistas, e modelo de toda a Igreja que é missionária cessante, ainda indica fortemente a estrada mestra para aproximar as consciências do rosto acolhedor do Pai, porque ‘a salvação que Deus nos oferece é obra da sua misericórdia’ ”. De fato, “a proposta teológica alfonsiana surge da escuta e acolhimento da fragilidade dos homens e mulheres mais abandonados espiritualmente”. Tanto é verdade que “o Santo Doutor, formado numa mentalidade moral rigorosa, se converte à ‘bondade’ ao ouvir a realidade”.

Francisco recorda que «a conversão gradual a uma pastoral decididamente missionária, capaz de estar perto do povo, de saber acompanhar o passo, de partilhar concretamente a sua vida mesmo no meio de grandes limitações e desafios», impeliu Santo Afonso “revisar, não sem esforço, até mesmo o enfoque teológico e jurídico recebido nos anos de sua formação”. Uma abordagem “inicialmente marcada por um certo rigorismo”, que “depois se transformou em uma abordagem misericordiosa, um dinamismo evangelizador capaz de agir por atração”. Santo Afonso, portanto, “não é frouxo nem rigorista“. Mas ele é “um realista no verdadeiro sentido cristão” porque entendeu muito bem que “a vida comunitária e o compromisso com os outros estão no âmago do Evangelho“.

Por fim, o Pontífice recorda que Afonso de Ligório ofereceu “respostas construtivas aos desafios da sociedade de seu tempo, através da evangelização popular, indicando um estilo de teologia moral capaz de conter a necessidade do Evangelho e as fragilidades humanas“. Daí o convite, a exemplo do seu exemplo, a dirigir com seriedade, no plano da teologia moral, «o grito de Deus que nos pede a todos: ‘Onde está o teu irmão’ (Gn 4, 9). Onde está seu irmão escravo? Onde está o que você está matando todos os dias na pequena fábrica clandestina, na rede de prostituição, nas crianças que você usa para mendigar, naquela que tem que trabalhar em segredo porque não foi regularizada? ”. Pois, “diante de mudanças de época como a atual”, “fica evidente o risco de absolutizar os direitos dos fortes, esquecendo os mais necessitados”. E a teologia moral “não deve ter medo de acolher o grito do menor da terra e torná-lo seu”.

Texto original

https://www.avvenire.it/papa/pagine/papa-francesco-non-solo-conoscenza-teoretica-ma-accogliere-piu-fragili