LI, VI, OUVI, ESCREVI

PORTUGUESES NA CALIFÓRNIA

Ave passageira

Eu li uma reflexao feita pelo Guga Chacra sobre a falta de horizonte de paz na longa luta entre arabes e israelenses. Ele tem um blog no jornal “O Globo”. No final da reflexao, ele fez uma citacao que me chamou muito a atencao. Eu sempre me interessei pelo signficado da historia. A historia da humanidade, de um povo, de uma pessoa. Guga citou  o historiador libanês Kamal Salibi: “países são criados pela História, mas seus territórios pertencem ao reino da geografia, em que a História é uma mera ave passageira”. Parece ter algo de intrigante nisso. A historia cria os paises, eles passam para a geografia e a historia passa a nao mais legitima-los porque neles nao se fixam. Eu olho aqui para a California, onde permaneco ate amanha, 12 de junho de 2019. Esta terra virou parte dos Estados Unidos, mas na verdade, e’ um caldeirao de racas. A historia passou isso para um pais sumiu no mundo. O que acontece agora? portugueses, brasileiros, irlandeses, paquistaneses, indianos, filipinos e, principalmente, mexicanos enchem essas ruas, as lojas, as casas e vivem sob a batuta de de um poder que nao tem a ver com a historia de nenhum deles.

Portugueses na California

Pesquisei bastante sobre a historia dos portugueses nessa regiao dos Estados Unidos. Uma historia bonita de se conhecer. Aqui chegaram no tempo da pesca das baleias no pacifico e sucederam os espanhois na fundacao de sua missoes. Hoje em dia, suas comunidades estao consolidadas, construiram riquezas, adquiriram partimonios, formaram familias, criam seus filhos e netos. E a lingua resite em nucleos muito especiais formados por centros culturais. As comunidades catolicas, fortemente associadas ao modo de ser portugues no passado, tambem sao lugares de grande presenca da lingua. Isso nao significa em nada falta de interesse em se integrar com as comunidades americanas, muito pelo contrario, os portugueses talvez sejam, entre os grupos etnicos que aqui vivem, os mais integrados ao modo de ser e de falar dos americanos. Ainda assim, apreciam suas raizes culturais e celebram a fe em sua lingua natal.

Historia de luz

No modo de conservar suas raizes aqui na America, os portugueses conservam a festa ao Espirito Santo, especialmente sob a tradicao vivida nos Acores. Da um alegria tao grande ver as paradas nas quais as familias se apresentam com suas melhores roupas, onde mocas sao vestidas como rainhas e princesas e como se pode ver rostos iluminados pela alegria em toda a parte e nos saloes onde se distribuem pao e carne. Eu, dessa vez nao participei de nenhuma desssas festas, mas nunca me esquecerei das festas do Espirito Santo nas quais tomei parte na ultima decada do seculo passado, quando estive varias vezes com as comunidades portuguesas da California. Foram ocasioes de muita satisfacao para mim. Uma vez, depois que terminei de celebrar, disse a um padre americano que acompanhava tudo com muito respeito e cartinho: ” I’m so sorry about my English” e ele respondeu com um sorriso “If my portuguese was like your English, I wouldn’t apologize”. Simpatico.

Futuro juntos

A historia nos aponta para o futuro. Amanha termino minha viagem a California. Deixo, no entanto, um convite a todos os amigos portugueses para continuarmos a fazer, juntos, uma historia de amizade e de partilha. Comuniquei a todos que, nesses dias, abrimos um website da “Casa Horizontes” (www.casahorizontes.com.br). Nesse espaco, gostaria de continuar meu contato com as comunidades portuguesas da California deixando sempre la algum conteudo de interesse geral. Hoje de manha, por exemplo, postei uma lindissima oracao da comunidade que rezamos hoje. Uma oracao que pede pela concordia e que afirma que as nossas diferencas devem nos enriquecer e nunca nos dividir. E uma palavra que considero a mais importante do texto diz que no final de nossas discussoes, em comunidade, jamais tenhamos “vencedores e vencidos”, mas sempre irmaos.

Fremont, 11.6.2019

Rafael Vieira