LI, VI, OUVI, ESCREVI

PRIMEIRA VEZ NA HISTÓRIA QUE SERÃO EXPOSTOS OS RESTOS MORTAIS DO APÓSTOLO PEDRO

O “L’Osservatore Romano”, jornal oficioso do Vaticano traz duas noticias importantes sobre o final do Ano da Fé: o Papa vai passar um dia em adoração num mosteiro de freiras contemplativas e serão expostos, pela primeira vez, os restos mortais do apóstolo Pedro. As noticias estão no artigo assinado por Rino Fisichella, presidente do Pontifício Conselho para a Nova Evangelização publicado neste sábado, 9 de novembro. Leia.

Pela primeira vez, serão exibidas as relíquias atribuídas ao apóstolo

Diante de Pedro

o encerramento do Ano da Fé

Rino Fisichella

09 de novembro de 2013

“Adoração. Se fala pouco de adoração”. Nesta observação proferida pelo papa Francisco, num que mistura tristeza e preocupação, se pode colher e compreender o significado de um dos sinais conclusivos do Ano da Fé. Para confirmar isso basta lembrar outro pensamento que o Papa dirigiu seminaristas e das noviças no final da jornal de peregrinação deles. Afastando-se novamente, neste caso, do texto escrito, ele disse: “um de seus formadores, me disse outro dia: évangéliser on le fait à genoux, evangelização é feita de joelhos. Ouça bem: a evangelização é feita de joelhos. Sejam sempre homens e mulheres de oração. Sem o relacionamento constante com Deus, a missão torna-se uma profissão”.

Palavras que são música para os ouvidos daqueles que, como quem escreve, cresceu na escola de Von Balthasar, o grande teólogo do século passado que criticou o movimento de algumas escolas que foram passando ​​de uma “teologia feita de joelhos” para uma “teologia escrito à mesa, e provocava a recuperação da espiritualidade e da santidade como uma forma coerente de vida cristã.

A união entre ação e contemplação é um dos pilares que a fé expressa e precisa sempre de ser reiterada. É por isso que vai caminhando em direção ao final do Ano da Fé, oPapa Francisco escolheu retirar-se, dia 21 de novembro, em um mosteiro de clausura para um momento de oração. A fé vive principalmente de adoração. O encontro com Cristo, de fato, exige que a resposta do crente seja resultado da contemplação do rosto. O dia “pro orantibus” significa o sinal de como a fé ajuda na busca pelo essencial.

Diante do mistério que se crê, além disso, a oração é a primeira e a mais realista atitude que se deve assumir. A contemplação, entretanto, não afasta dos compromissos e das preocupações diárias, pelo contrário. Ela permite dar sentido e apoio às lutas da vida cotidiana. A alegria que vem daquele encontro não é artificial ou limitada a um momento de emoção, mas é uma condição para olhar profundamente e colher o que vale a pena viver.

Só uma visão teológica distraída poderia ter criado um estrabismo entre o amor de Deus, o que é típico de quem reza, e amor ao próximo, próprio daquele que age. Não foi para Jesus,  a contemplação do Pai, o momento de preparação para realizar o seu trabalho de evangelização? Reavivar a fé, então, é o mesmo que verificar a reciprocidade entre contemplação e ação cristãs. A primeira é o pré-requisito para uma ação evangélico coerente, enquanto que a ação é a condição necessária para que a contemplação seja genuína.

A vida contemplativa conseguiu combinar esses dois momentos. “Ora et labora” permanece sendo na Igreja a síntese mais feliz para a qual leva a fé. O mosteiro das Freiras Camaldolese no Aventino, onde o Papa Francesco vai visitar, apresenta esta dimensão de modo particular. Sua abertura para a cidade para o serviço da lectio divina e da mesa para os pobres traz à tona a meta para a qual leva à contemplação: compartilhar o que se tem. Não é possível, de fato, contemplar o rosto de Cristo, sem reconhecê-lo, mais tarde, em sua “carne”, nos mais necessitados, porque mais sofridos.

Este é também um sinal para celebrar o epílogo de um ano cheio de graça. Ele foi marcado, em particular, pela profissão de fé que os milhões de peregrinos fizeram sobre o túmulo de Pedro.

Neste contexto, um último sinal culminante consiste na exposição, pela primeira vez, das relíquias do Apóstolo que a tradição reconhece como daquele que aqui deu sua vida para o Senhor. A fé de Pedro, portanto, confirma mais uma vez que a “Porta” para o encontro com Cristo está sempre aberta e à espera de ser cruzada com o mesmo entusiasmo e convicção dos primeiros cristãos. Um caminho que os cristãos de hoje sabem que precisam seguir sem fadiga, porque estão fortes e seguros pela contemplação do rosto de Cristo.

http://www.osservatoreromano.va/

foto: http://luzesdeesperanca.blogspot.it/

Rafael Vieira, 8.11.2013