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RAFAPEDIA – Uma enciclopédia livre – G e H

G

GENEROSIDADE. Vi uma peça recentemente, escrita por um canadense de língua francesa, Michel Marc Bouchard, na qual ele coloca o personagem principal como um publicitário especialista em sinônimos. Ao vê-lo, pensei que ficar procurando sinônimos é um modo bom de se aprofundar a respeito do sentido de uma palavra é procurar suas equivalentes. Vamos lá. Generosidade é algo parecido com bondade, benevolência, benignidade, beneficência, humanidade, magnanimidade, magnificência, longanimidade, munificência, complacência, compaixão, coração, piedade. Ou ainda: altruísmo, liberalidade, prodigalidade, dadivosidade, desinteresse, desapego, caridade, largueza, largura. Todas essas palavras têm alguma coisa a ver com a generosidade. Eu preferiria ficar com só com um sentido que nos diz muito mais ao coração: o amor de Cristo. Amor vivido até as últimas consequências.

GRAÇA. Gosto dessa palavra e do seu mais nobre sentido quando ela é associada ao presente cotidiano que Deus dá à cada uma de seus filhos e filhas. A graça de viver. A graça de ser uma pessoa decente. A graça de ser solidário, compreensivo, inclusivo e acolhedor. A graça de amar. Um exemplo humano sem igual, uma pessoa “cheia de graça”, é a Mãe de Jesus e nossa. Nossa Senhora acolheu esse presente de Deus. Ela viveu da graça que lhe foi dada e só nela encontrou motivos para permanecer firme mesmo quando seu filho era perseguido, humilhado e injustamente assassinado. Somente pela graça é possível dobrar as barras de aço da violência. Somente com o acolhimento da graça de Deus e a convivência íntima com ela é possível realizar uma bonita história de vida nesse mundo. Não nos esqueçamos, no entanto, do inimigo mortal da graça: o pecado! Fiquemos atento.

GRATIDÃO. Sêneca foi um grande intelectual do Império Romano e contemporâneo de Jesus. Nasceu um pouco antes e morreu anos após a norte e ressurreição do Senhor.  Ele escreveu coisas incríveis. Eu me inspirei em uma de suas máximas para escrever um livro na década passada, “A alma do dia”. Sêneca tem uma bela expressão sobre a gratidão que pode ser facilmente encontrada entre essas frases de famosos na internet: “Quem acolhe um benefício com gratidão, paga a primeira prestação da sua dívida”. Acho que o pensamento dele está em perfeita sintonia com a palavra portuguesa “obrigado”. Diferentemente de outras línguas neolatinas como o espanhol e o italiano que tem as palavras “gracias” ou “grazie” para se dizer a alguém que nos tenha beneficiado, nós falamos “obrigado”, isto é, eu fico obrigado a algo diante de alguém que me fez o bem. Tenho uma “dívida” e quando agradeço, de algum modo, já comecei a pagar essa dívida.

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HARMONIA. Nesses tempos de violência, de mentiras aos borbotões nas redes sociais, de ódio destilado em comentários de católicos sobre a Igreja, os bispos e os padres, sinto que harmonia teria que nos inspirar mais do que aquela mensagem antiga que dizia que harmonioso seria o ambiente onde tudo está do mesmo jeito. Onde não existe divergências ou diferenças. O sentido da harmonia, hoje, me joga mais para o lado da tolerância, do respeito e do interesse pelo bem dos outros. Sinto harmonia quando, mesmo com possibilidades latentes de conflito, as pessoas não se agridem, não jogam para fora seus maus sentimentos, sua bílis. No mês passado, num entrevero entre dois ministros da Suprema Corte, um deles disse tudo o que não combina com a harmonia: “”Me deixa de fora desse seu mau sentimento. Você é uma pessoa horrível. Uma mistura do mal com atraso e pitadas de psicopatia […]”. A vida para V. Exa. é ofender as pessoas […] É bílis, ódio, mau sentimento, mal secreto, uma coisa horrível”.

HONESTIDADE. Se eu pudesse, usaria os 677 caracteres que tenho à minha disposição na redação desse parágrafo para repetir a palavra honestidade. Ficaria chato, para você, leitor. Mas, justifico esse meu desejo confessando que essa é a palavra que o Brasil precisa repetir deste o momento que desperta até o momento de se recolher. O Brasil precisa voltar a aprender o que significa honestidade. E quando me refiro ao País quero dizer todo mundo que está dentro dele. Eu, você, todo mundo. Fomos nos acostumando com o “jeitinho brasileiro” e isso emporcalhou nossa consciência. Pareceria ser uma característica “bonitinha” da nossa vida nacional. Furar fila, pedir favores, “molhar a mão”, cultivar privilégios, achar solução para o que não tem solução na vida moral e assim viemos parar numa vala de corrupção generalizada. Emplaco, pelo menos, três vezes: honestidade, honestidade, honestidade.

HUMOR. Rir é como um alongamento da alma. Costumam dizer os entendidos de musculação que a segurança de um bom exercício depende sempre da qualidade do alongamento. O humor é nossa segurança. Quem ri, inclusive de si mesmo, está mais preparado para os exercícios que a vida cotidiana impõe todos os dias. Eu tenho um humor do cão em todas as manhãs. A causa é deficiência química. No mês passado, um psiquiatra muito gente boa que trabalha aqui em Brasília me passou um remédio que está mudando isso. Estou me tornando uma pessoa mais civilizada nas primeiras horas do dia. No resto tempo, gosto de rir e amo pessoas que não tem essa oscilação que meu organismo me impõe. Pessoas divertidas iluminam nossos ambientes de convivência. O humor só se envenena quando se volta para rir dos outros, das deficiências, das feiuras, dos chamados defeitos. Aí é de chorar.

Pe. Rafael Vieira Silva, CSsR

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