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RAFAPEDIA – Uma enciclopedia livre – Q e R

Q

QUALIDADE. Vinda do latim, “qualitatem”, a palavra quer dizer, segundo os dicionários, o modo de ser de um objeto, de um processo, de um estilo, de uma pessoa. No sentido primeiro, portanto, tudo e todos têm qualidade. O que nos faz compreender melhor o termo é a sua intensidade. Se aplicada às pessoas, é importante considerar essa acepção. Todas as pessoas têm qualidade, mas essa qualidade aumenta ou se deteriora e, desse modo, tem gente da maior qualidade e gente que perde sua qualidade pelos hábitos que adquire, pelas escolhas que faz e pelo modo como adota de conhecer o mundo e transformá-lo para melhor. Eu admiro pessoas que intensificam sua qualidade, se desenvolvem e tornam-se referência para inspirar outras pessoas a também colocar o seu modo de ser a serviço de boas causas. Como é bonito ver um jovem que faz serviço voluntário. Como é bom ver uma avó que se dedica a ajudar os filhos a criarem seus netos. Quanta qualidade tem as pessoas que pensam nas outras e não apenas em si mesmas quando votam nas eleições.

QUINDIM. Sabe aquele docinho amarelo? É gostoso e calórico. Agrada crianças e adultos. Fica a quilômetros de distância de jovens que querem manter a silhueta padronizada. Em Portugal, o pai do nosso quindim tem o prosaico nome de “brisa-do-Lis”. Lá é um doce que tem sua origem nos ambientes da vida religiosa. Veja a descrição do docinho amarelo português: “Doce antigo, foi criado no antigo convento dominicano de Santana, que já não existe mais (1494 a 1880). Depois de fechado o convento, a receita, diz-se, foi parar nas mãos de uma devota, ligada ao Café Colonial, estabelecimento que existe até hoje, sendo o mais antigo e conhecido café de Leiria. Não por acaso, até hoje também, come-se ali excelentes Brisas. Com o tempo, o segredo da confecção das Brisas-do-Lis espalhou-se e hoje são encontradas em diversas confeitarias da cidade e muito procuradas tanto pelos leirienses como pelos turistas que visitam a cidade”.

QUIXOTE. Amo o personagem principal do mais importante romance do dramaturgo espanhol Miguel de Cervantes. Dom Quixote de La Mancha é considerado um dos melhores romances do mundo terceiro mais traduzido da literatura universal. O personagem principal é um magricela sonhador e simpático. Ele tinha devaneios fantasiosos. Era um sujeito que gostava muito de ler e, num determinado momento, passou a viver espasmos de loucura, nos quais se autodenominou um cavaleiro, Dom Quixote. E aí a coisa pega. Arrumou um companheiro. Sancho. Sancho Pança. Realista, gordo e sério. Eles saem em busca de aventuras. Ele achava que tinha uma missão especial: defender a pátria como um legítimo cavaleiro. O quadro de candidatos à presidência da República no Brasil que estão em plena campanha eleitoral, nesses dias, acolhe vários “Quixotes”. Eles veem simples moinhos como se fossem gigantes perigosos. Pura fantasia que nas páginas desse livro são interessantes, mas na realidade, são sinais inequívocos do quanto essas pessoas se expõem ao ridículo para buscar o poder.

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RESPEITO. “Tudo começa com respeito” é um dos bordões interessantes de uma campanha contra todo tipo de preconceitos, veiculada na Rede Globo. Acho que o publicitário acertou na mosca ao escolher a frase para ser repetida pelos atores que falam da cor da pele e da religião. Tudo começa com respeito, de verdade. Vivemos num mundo novo. Todos os campos de vida e de atividade da humanidade, neste século, têm a ver com pluralidade, diversidade. Se faltar o respeito, a convivência social neste mundo de hoje torna-se uma tragédia. Ainda quando não tenhamos conhecimento suficiente, quando não entendemos a “lógica” de certas crenças ou não aceitamos algum comportamento religioso, cultural, ou marcado pela orientação sexual de alguma pessoa é preciso lembrar da frase: “tudo começa com respeito”. É desse começo que se avança para o diálogo e para o entendimento. A diversidade é uma riqueza e torna o cenário humano mais bonito.

ROMANCE. Ouvi de um colega de profissão, durante uma caminhada no Parque da Cidade, em Brasília, que estamos num tempo de escassez de romances. Ele dizia que a geração atual já não tem interesse por certos ritos, tempos e sentimentos de outros tempos. Esse desinteresse tem mudado o quadro das relações humanas e criado um grande impacto na cabeça dos jovens. Fiquei pensando que talvez seja justamente por isso que os romances da TV façam sucesso em quase todas as noites nas casas das favelas, dos apartamentos da classe média e também nos canais pagos dos mais ricos. Projeta-se nas telas o que não mais acontece na vida. Do romance deriva o romantismo. Um cantor mineiro, Vander Lee, falecido em 2016, escreveu uma linda canção sobre os românticos na qual ele afirma que românticos acreditam que o outro é o Paraíso.

RESILIÊNCIA. Conheci um padre que trabalha na diocese de Livramento de Nossa Senhora, na Bahia. Ele me disse que estudou Física, antes de entrar no seminário. Foi com ele que mais conversei para entender o que significa a palavra “resiliência”. Um termo adotado pela psicologia, pela administração, apesar de ser um conceito de Física e que quer dizer a propriedade que alguns corpos apresentam de retornar à forma original após terem sido submetidos a uma deformação elástica. Ou, no modo figurativo, a capacidade de uma pessoa se recobrar facilmente ou se adaptar à má sorte ou às mudanças de sua vida. Eu considero que o Pe. Maurício Brandolize é um resiliente no que se refere à gestão do “Rapidinho”. Ele garante a entrega, “religiosamente em ponto”, dessa publicação que você pode ler todos os meses chovendo ou fazendo sol. Ele não se incomoda com as dificuldades e segue sua missão. Os resilientes não são apenas teimosos, obstinados, determinados, são valentes!

Pe. Rafael Vieira Silva, CSsR

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