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RAFAPEDIA – Uma enciclopédia livre – S e T

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SENSATEZ. Fernando Henrique Cardoso, chamado de FHC, antes de ser um personagem ligado a um partido político foi conhecido e admirado como sociólogo e como professor universitário. Intelectual sofisticado, ele lecionou em universidades indiscutivelmente prestigiosas no mundo: Sourbone, de Paris, Stanford, nos Estados Unidos e Cambridge, na Inglaterra. No atual processo de campanhas eleitorais e com a polarização estabelecida, FHC divulgou carta aos brasileiros fazendo um chamado à sensatez. Para ele, “ou se busca a coesão política, com coragem para falar o que já se sabe e a sensatez para juntar os mais capazes para evitar que o barco naufrague, ou o remendo eleitoral da escolha de um salvador da Pátria ou de um demagogo, mesmo que bem-intencionado, nos levará ao aprofundamento da crise econômica, social e política“. O ex-presidente acrescenta: “Ainda há tempo para deter a marcha da insensatez. Como nas Diretas-já, não é o partidarismo, nem muito menos o personalismo, que devolverá rumo ao desenvolvimento social e econômico.”

SOLIDARIEDADE. Ser solidário é colocar-se no lugar do outro e sentir, com ele, a mesma dor que ele sente. É algo muito perto da compaixão no sentido bíblico. Jesus nos deu exemplo desse tipo de solidariedade e nos ensinou a fazer a mesma coisa. Engana-se quem pensa que solidariedade seja algo parecido com a caridade piedosa com a qual se dispensa alguns centavos para os sofredores e depois toca a vida na fartura. Solidarizar-se é colocar-se ao lado, assumir a mesma luta, enfrentar os mesmos desafios do outro. O solidário é alguém que mergulha em uma realidade que não é diretamente sua. Eu amo o trabalho de organizações humanitárias. É pura solidariedade. Eu peço a permissão para falar de uma organização que sei apenas o nome, mas me parece interessante. Trata-se do projeto “Fraternidade sem fronteiras”. Encontrei-a num depoimento dado num vídeo que viralizou nas redes sociais no qual os personagens principais são o Alok, o DJ goiano que conquistou o mundo, e uma senhora cega africana. Vi sinais de solidariedade verdadeira na história que eles contam.

SUTILEZA. Em tempos de estupidez política quando parece ganhar campo a defesa do armamento, do desprezo pelas mulheres e da discriminação das minorias no Brasil é quase inútil falar de sutilezas. Tudo é, assustadoramente, explícito, grosseiro, ríspido, áspero. Tudo tão longe da singularidade da alma humana que é sutil, delicada. A sutileza aconselha a todos nós assumirmos caminhos diferentes do cenário político deste mês de outubro de 2018: pede que tenhamos habilidade para falar das realidades humanas reconhecendo que nem tudo é preto ou branco. Há tonalidades nas cores. Cada ser humano é um mundo complexo e que merece todo cuidado. A realidade social está marcada por essa complexidade de cada ser humano e, por isso, não se pode trata-la aos pontapés. Ser sutil é descomplicar as coisas, cultivar a simplicidade e a discrição. Boas maneiras no falar, no andar, na ocupação dos espaços e das conversas. A sutileza nos pede para sermos atenciosos, jeitosos uns com os outros.

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TEMPERANÇA. Um dos apresentadores que mais acompanho na programação do Rádio dedicado ao jornalismo é o jornalista Carlos Alberto Sardenberg que faz um balanço dos principais fatos da manhã no meio do dia no programa “CBN Brasil”. Quase todos os dias, eu ouço seus comentários. Sinto-o bem distante do que penso e do que quero para a política e a economia, mas encontro competência no modo como ele realiza o nosso ofício de jornalistas. Todas as sextas-feiras, ele salpica as notícias e comentários do programa perguntando aos ouvintes se o fim de semana será de temperança ou de “pé-na-jaca”. Acho divertido. As pessoas têm respostas muito interessantes, mas quando dizem que será de temperança, invariavelmente querem dizer que passarão o sábado e o domingo exercitando autodomínio. Em geral, a turma da temperança é aquela que vai trabalhar enquanto os do “pé-na-jaca” vão se entregar ao ócio. Não se pode esquecer, no entanto, que aqueles que passam na temperança têm senhorio de si, têm maior controle sobre a vida e, claro, têm melhores condições para não chegar na segunda-feira com dor de cabeça.

TERAPIA. Um tempo na minha vida, frequentei uma Sociedade de Psicanálise. Passei quatro anos estudando as teorias do Dr. Sigmund Freud e de seus dissidentes, pois se tratava de uma escola eclética. Fiz análise por muitos anos. Nos últimos meses, por causa do quadro de transtorno que tem tirado o brilho das minhas manhãs, voltei a fazer terapia. Tive uma sorte grande. Encontrei um analista que é discípulo de Carl Gustav Jung. Ele ajuda a gente a fazer um caminho muito interessante. Tenho tido excelentes possibilidades de elaboração de emoções, vivências, pensamentos e comportamentos que fui adquirindo com o passar do tempo e me fazem sofrer. Terapia é o mesmo que tratamento. O analista que me atende diz que se trata de uma tarefa que não deve se reduzir ao tempo que passo no consultório dele. A terapia psicológica é, nesse sentido, igual a medicamentosa: a gente se trata o tempo todo. Recomendo a quem tiver a oportunidade para se entender melhor e achar caminhos de libertação das nossas dores.

TRANSCENDÊNCIA. No finalzinho de mês passado, dia 29, a Igreja celebrou a festa dos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael. Eu acho o meu onomástico maravilhoso. O Arcanjo Rafael é um simpático. Gosto de tudo que tem a ver com o significado do seu nome e da sua atuação. Papa Francisco, no dia dos Arcanjos, disse algo muito interessante. Ele disse que os anjos são a nossa porta da transcendência. E acrescentou: “Existe o perigo de não caminhar. E quantas pessoas se estabelecem e não caminham, e toda a vida ficam paradas, sem se mover, sem fazer nada. É um perigo. Como aquele homem do Evangelho que tinha medo de investir o talento. O enterrou e pensou: ‘Eu estou em paz, estou tranquilo. Não poderei cometer um erro. Assim não arrisco’. E muitas pessoas não sabem como caminhar ou têm medo de arriscar e param. Mas nós sabemos que a regra é que quem fica parado na vida, acaba por se corromper. Como a água: quando a água está ali parada, chegam os mosquitos, depositam ovos e tudo se corrompe. Tudo. O Anjo nos ajuda, nos leva a caminhar”.

Pe. Rafael Vieira Silva, CSsR

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