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RAFAPEDIA – Uma enciclopédia livre – X, Y e Z

X

XODÓ. Uma palavra que anda meio esquecida, apesar de ter sido o apelido de um dos garimpeiros que faziam parte da história de uma novela de sucesso que se ambientava no Tocantins. Quando eu era garoto ouvia essa palavra com mais frequência. Era um jeito mais simples de se referir a alguém ou a qualquer coisa que era particularmente querido. Eu me lembro que o meu “xodó”, na infância e no início da adolescência, era o centro de artesanato “Roda Viva”. Era um lugar criado pela equipe paroquial da minha cidade que, na época, era composta por um padre e quatro religiosas canadenses. Um lugar onde se aprendia a fazer belas peças em couro. Eu passava o dia inteiro lá. Me metia em quase tudo. Ajudava na limpeza, fazia cursos e cheguei a ser o único capaz de orientar e consertar os defeitos de uma máquina de costura industrial overlorck que era usada pelas senhoras do curso de corte e costura. Cheguei a ir a São Paulo, em junho de 1976, para ser especialmente preparado para esse trabalho. Eu tinha apenas 13 anos. Foi justamente naquela ocasião que peguei carona numa Kombi com um rapazote de olhos claros, em Tietê. Ele ia para a capital. Lembro-me também que ele ia ser ordenado padre naqueles dias. O nome dele: Maurício Brandolize.

XERETAR. Intrometer-se, bisbilhotar, bajular. A revolução tecnológica tem um sinônimo curioso, vindo do inglês, para a xeretagem: “stalkear”. Aliás, para ilustrar é preciso falar de outra novidade. Você já ouviu falar em “crush”? Não é aquele refrigerante, é o modo de se referir a alguém por quem você tem uma “queda”, uma “paixonite”. Agora, sim, voltemos ao “stalkear”. Quando você tem um “crush” e anda atrás de saber quem é essa pessoa nas redes sociais e vai xeretar no perfil dela, isso se chama “stalkear”. Há casos de xeretagem que não ocorrem por razões tão prosaicas. Hoje em dia, tornou-se um problema de segurança das nações. Muitos grupos com comprometimentos políticos de alta densidade entram nos perfis das pessoas, nas redes sociais, para influenciar processos. Fala-se, por exemplo, que foi isso que aconteceu com a eleição do presidente Donald Trump, em 2016, nos Estados Unidos e da vitória do “Sim” no plebiscito realizado pelo governo do Reino Unido para saber se a população queria ou não sair da Comunidade Europeia, no mesmo ano. Há rumores que isso também tenha ocorrido no Brasil, recentemente.

Y

YUPPIE. Quando era mais jovem, eu lia muito sobre pessoas que eram caracterizadas por essas palavras. Na verdade, muitos de nós tinham um certo fascínio por essas pessoas. “Yuppie” é uma derivação da sigla formada pela expressão inglesa “Young Urban Professional”. Na verdade, pode-se dizer, sem medo, que os “yuppies” não estão mais em evidência quanto estavam há 20 anos. Quem gosta de cinema e assistiu um filme de 1987, o “Wall Street”, tem uma ideia bem claro desse estereótipo de jovem bem-sucedido que marcou a vida econômica recente dos Estados Unidos e do mundo inteiro. No filme, o personagem vivido por Charlie Sheen trabalha numa corretora de valores, desfruta seu dinheiro com restaurantes sofisticados e eletroeletrônicos avançados para a época. Além disso, rejeita os valores do passado. É materialista e associa a felicidade aos prazeres que sua carreira pode lhe proporcionar.

YIN-YANG. Dois conceitos orientais que se encaixam para formar uma unidade equilibrada. Gosto de apreciar as luzes que emanam da sabedoria presente em religiões muito antigas do Oriente. Em qualquer brevíssima pesquisa que você fizer no Google, poderá descobrir que Yin-Yang “é a representação (dada pela filosofia chinesa) do positivo e do negativo, sendo o princípio da dualidade, onde o positivo não vive sem o negativo e vice e versa. O criador desse conceito foi I Ching, ele descobriu que as formas de energias existentes possuem dois pólos e identificou-o como Yin e Yang. O Yin representa a escuridão, o princípio passivo, feminino, frio e noturno. Já o Yang representa a luz, o princípio ativo, masculino, quente e claro. Além disso, também são indicados como o Tigre e o Dragão, representando lados opostos. Quanto mais Yin você possuir, menos Yang terá e, quanto mais Yang possuir menos Yin você terá. Essa filosofia diz que para termos corpo e mente saudável é preciso estar em equilíbrio entre o Yin e o Yang”.

Z

ZELO. Eu gosto imensamente de pensar a vida cristã como uma caminhada existencial colorida pelo zelo, pelo cuidado. Aliás, um cuidado mais do que especial e não um cuidado qualquer. Ser cristão, para mim, é ser zeloso. É cuidar de tudo e de todos com todo o carinho sincero e com uma dedicação perseverante. Zelo, na verdade, é uma palavra muito comum no discurso espiritual justamente porque diz muito sobre o modo como Deus nos acompanha no correr de nossas vidas. Ela zela por nós como fazem as mães com os filhos pequenos que até mesmo uma respiração diferente já chama a atenção e pede providências.

ZIGUEZAGUEAR. Escolhi terminar essa série de brevíssimas reflexões sobre algumas palavras nessa “enciclopédia” com um termo usado quase sempre com uma conotação negativa porque se trata do ato cambaleante de alguém caminhar com um sentido pragmático, concreto e positivo. Eu vivo assim: ziguezagueando. Aliás, acho que foi isso que fiz o ano inteiro aqui nesse espaço. Pulando de uma palavra para outra, obedecendo apenas a lógica do alfabeto. Ziguezaguiei entre conceitos seguros, experiências pessoais, pesquisas na internet, opiniões discutíveis. Esse movimento, no entanto, foi maravilhoso. Cada vez que chegava o momento de trazer mais um verbete para a “Rafapedia” lá ia eu, alegremente, ziguezaguear. Foi ótimo. Obrigado pela companhia.

Pe. Rafael Vieira Silva, CSsR

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