LI, VI, OUVI, ESCREVI

RECENTE “VISITA” AO CASO BOFF

A revista “Il Venerdi” do jornal “La Reppublica”, na edição de ontem trouxe um artigo lá no meio de tantos temas importantes que resgata uma história de mais de quase 3 décadas atrás, mas uma história que nos foi contada muitas vezes nesse período. O caso do “Processo” que resultou no silêncio obsequioso imposto pela Santa Sé, ao teólogo brasileiro, Leonardo Boff. Nesse artigo, uma versão que eu não conhecia. Leia:

CRÔNICAS CELESTES

de Fillippo Di Giacomo

Ratzinger disse: “não” à “Igreja que se torna partido”

Il Venerdi, La Repubblica, 25.10.2013

Nos arquivos da RAI existe um programa de Anna Maria Frederici, intitulado “A coragem de crer”, datado de 1985. Gravado e colocado no ar quando a imprensa ocidental cunhava ao então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Joseph Ratzinger, o título de PanzerKardinal. O caso remonta o verão de 1984, quando ele havia submetido a um processo e condenado ao “silêncio obsequioso” Genesio Darci Boff, mais conhecido como Leonardo Boff. Na realidade, naquele dia, o então frade Franciscano brasileiro chegara na sede do ex Santo Ofício a bordo do mesmo carro que acompanhava o cardeal Ratzinger e a recebe-lo estava o dicastério inteiro do Vaticano e um pequeno lanche no qual participaram dois purpurados latino-americanos, seus amigos e confrades.

Depois do “processo”, o cardeal, o arcebispo secretario, os dois purpurados franciscanos e o “condenado” foram juntos à Casa Geral dos Frades Menores para um almoço oferecido em homenagem a eles. A lenda inventada de um Leonardo Boff que saiu cambaleando dos escritórios do Vaticano apareceu em seguida e é fruto de um jornalista espanhol, ex padre, correspondente em Roma de um jornal de Madri.

No quente da hora, na longa entrevista de Ratzinger concedida à autora do programa, “o processo” foi narrado assim: “o movimento com Boff não era baseado totalmente sobre a Teologia da Libertação, mas bastante sobre os problemas da interpretação da Escritura e da Eclesiologia. Ele estudou na Alemanha aprendeu essa teologia alemã. E acreditou nela, talvez, um pouco em demasia. Assim dissemos: aqui não há uma boa explicação da teologia católica, e pensamos em ajuda-lo dando a ele um certo tempo de reflexão, quase um ano sabático. Mas devo ainda acrescentar que se pode, neste ano, continuar a ensinar no instituto franciscano de Metrópolis (sic) (Petrópolis, ndt) e, naturalmente, seu trabalho de pregador. Agora, a Teologia da Libertação trata do problema d relação entre política, problemas sociais e fé. Naturalmente existe uma relação fundamental. A fé é compromisso social, compromisso com os pobres. O problema é: como se deve compreender e explicar esta relação. Há formas válidas, boas, incentivadas por nós, mas há também formas nas quais a Igreja torna-se partido, torna-se fundamentalista, identificada com um estado a ser construído e este fundamentalismo no qual se identificam Igreja, partido e Estado não está no sentido do Senhor, não está no sentido dos homens e da liberdade cristã. Portanto, devemos nos defender contra um falso fundamentalismo politico social no qual a Igreja perde o seu significado religioso e se torna politizado em um senso totalitário. Isto, digamos, impedimos ou queremos dizer para que se encontre um caminho melhor para o compromisso social da Igreja”.

Palavras que pronunciadas hoje por um outro papa teria um efeito diferente?

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Rafael Vieira, 26.10.2013