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REPENSAR O MUNDO A PARTIR DAS NECESSIDADES DO CORPO HUMANO

Estou lendo um livro em italiano “Essere Corpo” de Jader tolja e Tere Puig. É uma publicação da Editora TEA. Retirei um capítulo interessantíssimo para o seu deleite.

Redesenhar a vida a partir do corpo

O que ocorre é introduzir é introduzir

 a modalidade corpórea da compreensão do mundo”.

Jacques Van Eijden

 

Em que medida o espaço influencia nossa fisiologia?

O nosso sistema nervoso é projetado pra realizar modificações precisas no corpo em resposta aos estímulos externos. Qualquer estímulo externo, por exemplo, a simples mínima ausência de água e vegetação em uma praça, de fato, provoca uma específica mudança interna em nosso corpo.

Qual é o problema?

O problema é que quem projeta os espaços, mas o mesmo vale para qualquer aspecto da nossa vida, nem sempre está consciente ou se interessa pelos efeitos fisiológicos que o seu projeto produz. Em uma praça de cimento, o sistema nervoso reage na percepção de uma coisa dura e seca com uma reação de resistência, de tensão subliminar. O corpo tem dificuldade de relaxar-se, como faz, naturalmente, na presença de água ou de terra.

Existem estudos a esse propósito?

Sim. Sabemos, por exemplo, que se de uma cama de hospital se pode ver árvores e verde, uma pessoa em convalescência pode ser liberada, em média, três dias antes em relação àquela que está se recuperando sem uma vista para o verde.

Curioso.

Um bosque não lhe permite fixar a atenção em alguma coisa particular. É naturalmente harmonioso e isso ativa o hemisfério direito do cérebro, aquele ligado ao sentir. Se, ao contrário, no ambiente existem numerosos estímulos visuais , se ativa o hemisfério cerebral esquerdo que induz a restringir a visão, a focalizar.

Todas as características da vida moderna evocam o predomínio do hemisfério esquerdo do cérebro. Quando, na realidade, o hemisfério esquerdo foi projetado para ajudar o hemisfério direito.  Conhece Perry Mason?

O do puro cérebro direito?

Sim. Mason é um advogado que tem sempre a visão do conjunto e quando tem necessidade de uma informação mais pontual e específica, encarrega seu assistente, Paul Drake, cérebro de esquerda, analítico. Hoje, a nossa educação, a nossa cultura e modo mesmo de no qual são projetados nos convertem em muitos Paul Drake.

Isto cria que tipo de sociedade?

Uma sociedade muito visual que se focaliza sobre detalhes e perde a visão do conjunto, por isso torna-se também incapaz de distinguir entre aparência e substância, portanto, facilmente manipulável. Ver o céu estrelado nos permite entender que somos parte de uma coreografia global. Se tudo é Selfie, terminaremos facilmente por crer de sermos o centro do universo.

E o senhor pensa de como ser possível evitar isso?

Estudo para saber como projetar de novo o nosso ambiente, físico ou não, de modo que seja adapto ao nosso sistema nervoso e não vice-versa.

Pode dar um exemplo concreto tirado da vida de todos os dias?

No design dos interiores, por exemplo, quando a decoração e os móveis são baixos e horizontais o sistema nervoso se acalma, enquanto quena presença de elementos altos e verticais o nosso sistema nervoso se coloca em condição de vigilância mental. Apergunta que podemos fazer é esta: as escolhas de design que fazemos são coerentes com a condição neurológica da qual temos necessidade o fazemos contraste a ela?

Como nos influencia o lugar onde estamos?

 Corpo, mente e espaço estão sempre conectados, digo até que estão “coreograficamente unidos”. O espaço, porém, em geral  é o aspecto mais rígido desta terna: certos edifícios e certas praças estão ali, talvez, há séculos, , talvez, continuarão ali por outros tantos. A disposição do espaço, os vários ambientes, induz a um modo de ser e a um estado psicofísico particular. Através da arquitetura, portanto, se pode organizar a mente e o corpo de uma pessoa. Existem lugares que nos sentimos espontaneamente confortáveis e outros que preferimos evitar, mas nos quais nos encontramos, de todo modo, no dever de passar por muito tempo.

Pode dar um exemplo?

Percorrer um espaço longo e estreito, como uma garganta profunda ou um túnel, leva a uma situação de alerta, porque limitando a nossa possibilidade de fuga, em nível de inconsciente, nos faz sentir em perigo e, portanto, nos induz a atravessá-lo o mais depressa possível. Um horizonte aberto dá, ao contrário, o controle da situação e muitas opções as quais são percebidas pelo sistema nervoso como seguras, o que evoca, naturalmente, um sentido visceral de maior bem estar. O problema de fundo é que as cidades e a maior parte dos objetos foram projetadas a partir da abstração da racionalidade e, em consequência, causam situações que contínuo esforço físico e ou mental.

Isto é palpável.

Somos nós que nos adaptamos à arquitetura, à moda, e todo o resto, ao invés de adaptar o espaço e a roupa a nós e isto cria um círculo vicioso: maior desligamento do corpo, menor consciência do efeito das várias formas de design sobre o nosso ser. E assim, as pessoas perdem progressivamente a capacidade de se darem conta do preço pago do ponto de vista físico.

Os saltos são um exemplo.

 O problema maior não são tanto os saltos – ainda que bastam cinco centímetros, porque os bezerros encurtam e se atrofiam com 13% disso, segundo estudo conduzido por Dr. Marco Narici na Manchester Metropolitan University – quanto ao fato que quase todos os sapatos não dão o espaço natural para os dedos. O design é feito sob uma ideia abstrata de como são feitos os pés com um molde de madeira cônico com a extremidade pontuda, que é o exato oposto do pé que tem uma natural forma em leque para poder dar estabilidade física e mental.

E o que isto provoca?

O corpo é, na verdade, uma estrutura de tração, no qual qualquer mudança em uma parte repercute em todo canto. É suficiente bloquear uma só das 33 articulações presentes no interior de um pé para que simultaneamente se bloqueiem outras no resto do corpo. Basta experimentar: se se caminha com os pés contraídos, não é possível relaxar as outras partes do corpo, todo o corpo fica teso. Mas, o problema não termina aí.

Isso quer dizer o quê?

Aquilo que chamamos de ânsia não é mais do que a expressão em nível psicológico do bloqueio da respiração em nível físico. Se o pé está em um estado de contração, também a respiração fica limitada. Se os dois pés se movem constantemente como dois blocos unidos, fica inibida a alternância de relaxamento e contração entre os dois lados do corpo, erradicando o conceito de “dois” seja em nível corpóreo que físico.

Com quais consequências?

Por exemplo: temos a dificuldade de perceber a exigência de duas pessoas ao mesmo tempo como de importância semelhante. Em qualquer nível continuamos a considerar que uma deverá satisfazer as necessidades da outra.

Poderia se projetar, portanto, a partir do corpo?

A nossa cultura é, sobretudo, a expressão do hemisfério cerebral de esquerda, que sendo mais mental e abstrato condiciona qualquer manifestação, da educação ao modo de vestir-se. Instrução e Esporte, por exemplo, poderiam se reprogramados partindo da ideia de como nosso organismo funciona na base com o princípio do prazer.

E o que seria preciso para se fazer isso?

De um processo de “Educação somática”, isto é, de   de humanização cultural que venha através da compreensão de como funciona o nosso corpo e, por consequência, a nossa psiqué. Aquilo que temos fundamentalmente necessidade é de recuperar a capacidade de “perceber” o nosso corpo.