Sem categoria

SABDEDORIA ESPIRITUAL – Sto. Antônio de Pádua

SABEDORIA ESPIRITUAL

Reflexões sobre post de Santo Antônio de Pádua

“A paciência é o baluarte da alma, ela a fortifica e defende de toda perturbação”

[BALUARTE]

Há muita controvérsia em torno da identidade e da missão do Doutor da Igreja, autor do post deste mês junho. Primeira: todo mundo o chama de “casamenteiro” e isso pode ter reduzido a figura de Santo Antônio a um personagem folclórico cuja imagem era colocada de cabeça pelas moças que, tempos atrás, queriam arrumar um noivo. Hoje, as meninas e os meninos já não recorrem a isso e o casamento passa por uma onda de baixa popularidade. Segunda: falam em Santo Antônio de Pádua, que fica na Itália e ele nasceu na capital de Portugal. Há quem o chame de Santo Antônio de Lisboa. Trata-se da mesma pessoa. Um franciscano muito culto. Nessa frase ele fala da paciência como baluarte. Para alcançarmos a mensagem do santo que falou a nossa língua precisamos nos aproximar do sentido profundo do termo. Baluarte significa uma fortaleza, uma construção alta feita para proteger um lugar. Os pacientes, portanto, estão mais protegidos. Estão menos expostos às tempestades dessa vida e os problemas que teimam em nos colocar em agitação constante.

[ALMA]

A tradição cristã ensinou muito a respeito de alma. Hoje em dia, não se apresenta a doutrina do cristianismo usando essa palavra, ao contrário, procura se evitar falar de alma. Qual a razão disso? O motivo de fundo pode estar no fato de que a comunidade teológica tenha se esforçado muito para desfazer o dualismo que imperou muito tempo na pregação que falava de corpo e alma como realidades opostas. Nesse contexto, a alma ficava com as tarefas sublimes da vida e ao corpo se martirizava por causa de suas inclinações ao pecado. Era preciso bater no corpo para livrar a alma das coisas ruins. A salvação, por exemplo, era entendida como uma meta apenas da alma. Nossos missionários de uns tempos atrás escreviam nos cruzeiros que deixavam plantados nas cidades em que levavam as Santas Missões, a frase: “salva a sua ama”. Hoje, graças a Deus, entendemos mais profundamente que esse dualismo deve ser abandonado. Somos salvos inteiramente, somos corpo e alma. E é essa unidade de corpo, alma, espírito que pode ser protegida pelas pessoas que exercitam a paciência.

[FORÇA]

Santo Antônio diz que a paciência fortifica alma, isto é a nossa realidade humana inteira. Não se pode esquecer, no entanto, que a paciência não é apenas um dom que se pede a Deus, mas é o resultado de um exercício difícil que se faz todos os dias. Eu penso que ao pensar em paciência como conquista, poderíamos nos lembrar do processo de adestramento de animais. Um animal rebelde precisa passar por um tempo enorme de treino, de tentativas malsucedidas para se chegar a um comportamento menos perigoso. Há quem, entre nós, seja um poço de paciência, mas há também muitos que sofrem com a agonia de querer tudo a tempo e hora. A esses, a paciência só chega por meio de um exercício diário, de uma entrega contínua. Aos impacientes por natureza, resta a luta. O esforço, o choro silencioso, o ranger de dentes. Eles sofrem até mesmo coma paciência dos outros. A conquista de mais serenidade interior desses impacientes é sempre uma vitória que merece ser celebrada, cultivada, aprofundada. Aos pacientes por natureza, há um dever quase religioso: ajudar os impacientes.

[DEFESA]

A paciência defende a pessoa da perturbação. Uma verdade cristalina. Há que se refletir, no entanto, que alguma perturbação é necessária e saudável. Não se pode também fazer do conselho à paciência uma desculpa esfarrapada para não se enfrentar os conflitos da vida. É preciso, por isso, observar se atrás de uma suposta paciência não se escondem inimigos perigosos: a covardia, a omissão e a acomodação. Alguma perturbação pode nos deixar mais atentos. A paciência recomendada pelo Santo que fez um célebre sermão aos peixes, certamente, não pode ser motivo para se esquecer de enfrentar os grandes desafios da vida. Com paciência, já que os hereges não lhe davam ouvidos Santo Antônio falou aos peixes: “Peixes, meus irmãos, muita obrigação tendes de, à vossa maneira, cantar louvores e render graças a Deus, nosso Criador. Deu-vos Ele para morada tão nobre elemento, a água doce ou salgada, segundo a necessidade de cada qual. Do mesmo modo, preparou-vos um abrigo para fugirdes dos riscos das tempestades. E a água que vos deu é clara e límpida, a fim de poderdes ver os caminhos por onde andais e os manjares que haveis de comer. E é o mesmo Criador quem vos reparte o alimento necessário à vida”.