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SABEDORIA ESPIRITUAL – S. Beda

SABEDORIA ESPIRITUAL

Reflexões sobre post de São Beda

“Há três caminhos para o fracasso: não ensinar o que se sabe, não praticar o que se ensina, e não perguntar o que se ignora”

[FRACASSO]

Antes de tudo, ao ler o post deste doutor da Igreja, São Beda, o venerável, um inglês corajoso, é preciso que se faça uma rápida revisão do que entendemos por fracasso. O capitalismo triunfante dos nossos dias, o egoísmo instalado em nossa cultura ocidental e a famigerada mania de ganhar sempre nos deu uma ideia equivocada sobre fracasso. Para a maioria de nós, por exemplo, o segundo lugar não interessa. Para muitos de nós, o último lugar é o sinônimo da vergonha total. Não é bem assim. Quem chega em segundo lugar, não fracassou, venceu. E, em muitas situações chegar em último lugar significa perseverança, sacrifício, força de vontade. Fracassar, então, na verdade é sair da disputa,  fracassar é não lutar, fracassar é desistir. Perder também é ganhar quando se torna uma lição importante. Não vencer pode ser uma indispensável oportunidade de crescimento. Todos os vitoriosos honestos, perderam muitas disputas. Perderam e tiraram um grande proveito dessas ocasiões e, por isso, se tornaram vencedores. E como diz São Beda, em palavras de hoje: perder é não ensinar, perder é nâo praticar, perder é ficar na ignorância.

[ENSINAR]

O Brasil vive, nesses tempos atuais, uma verdadeira tempestade social em termos de Educação. Autoridades constituídas falam coisas absurdas, tomam decisões sem nenhuma sintonia com a comunidade dos educadores. Falam de fantasmas que não existem, reduzem o ensinar a duas ou três áreas do conhecimento com o pretexto de que assim, os alunos encontrarão resultados mais práticos. Demonizam pessoas que deram colaborações indiscutíveis à pedagogia no mundo inteiro, não somente no Brasil. Pasmem: falam mal de Paulo Freire. Um pedagogo reverenciado no planeta inteiro. Dizem que ele ensina o “comunismo”. O cúmulo do cúmulo da ignorância. Paulo Freire nunca foi comunista. Eu, pelo menos, considero a definição dada por Paulo Freire sobre o que é ensinar, a melhor de todas: “Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para sua própria produção ou sua construção”. Uma definição ampla, libertadora e oportuna. Ensinar é ajudar o outro a pensar, a questionar, a ligar um ponto ao outro.

[PRÁTICA]

Uma vez, perguntaram ao grande poeta uruguaio Eduardo Galeano, a razão que levava muitos jovens a endossar boinas, camisetas com a figura do argentino Che Guevara. Uma geração que não teve contato próximo com a história desse médico que amou a revolução, foi vitorioso em Cuba e terminou seus dias nas florestas da Bolívia. Um homem de um magnetismo ímpar. Depois de estabelecido regime em Cuba e de ter um cargo importante no governo revolucionário de Fidel Castro, deixou tudo e foi atrás de uma América Latina livre das ditaduras. Morreu como viveu: lutando. Dizem que Galeano respondeu mais ou menos assim: “os jovens de hoje sentem orgulho de usar uma referência do “Che” por uma razão muito simples. Ele fazia o que falava”. Em outras palavras, essa geração tem sede de pessoas que colocam em prática o que pregam. Essa geração não quer mais ouvir discursos vazios em lugar algum: nem na política, nem na Escola, nem na Família e nem na Igreja. É uma juventude que, independente da ideologia que seguem, quer ação e não mais conversa fiada.

[PERGUNTAR]

A última lição de São Beda é linda. Ele resgata uma das mais bonitas estradas para todas as legítimas vitórias da vida: a pergunta. Eu conheço um grande estudioso da comunicação na Igreja , o jesuíta Antonio Spadaro que afirma, sem rodeios, que hoje precisamos acertar nas perguntas, mais do que dar respostas. “Hoje, o problema não é encontrar respostas, mas saber fazer a pergunta”, diz ele. E chega a propor uma pastoral da pergunta no lugar da pastoral das respostas: “Se o Evangelho não for apresentado como uma pergunta na sua vida, não terá nenhum gancho real; assim que chegar uma outra via mais interessante, ele será posto de lado. Spadaro destaca que o Evangelho não é uma resposta fácil; então, é preciso criar o “terreno da pergunta”. “O homem de hoje tem necessidade de perguntas. A Igreja sabe envolver-se com as dúvidas e as perguntas dos homens? Sabe despertar as perguntas que estão no coração deles sobre a existência?”. Daí, perguntar, nessa linha de ensinamento significa envolver-se. Não perguntar para duvidar ou para, comodamente, esperar respostas. Perguntar é envolver-se com aquilo que intriga a todos para uma busca de resposta comum.