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SABEDORIA ESPIRITUAL – Sta. Teresa D’Avila

SABEDORIA ESPIRITUAL

Reflexões sobre post de Santa Teresa D’Avila

“Nada te perturbe, nada te assuste, tudo passa. Deus não muda. A paciência tudo  alcança. Quem a Deus tem nada lhe falta. Só Deus basta!”

[NADA PERTURBE]

O “nada” a que Santa Teresa se refere, obviamente, não tem sentido literal. Somos perturbados por quase tudo. Quem pode não se perturbar com a política brasileira que tem virado um cenário de loucuras e palavras inacreditáveis? Quem consegue ficar sem perturbação em tomar conhecimento da violência que assola nossas famílias e mata crianças indo para a escola? A situação que vivem os professores e alunos, nas escolas, padecendo de falta de assistência do poder do público torna-se um barulho de impedir a paz de qualquer pessoa. E o desemprego estraçalhando a vida das famílias, humilhando homens e mulheres e levando a maioria deles para o trabalho infame das ruas onde está gritando a ameaça da trambicagem? Quem pode não se sentir perturbado com a fé sendo manipulada nas igrejas em troca de dinheiro e quem ainda poderia não se deixar tocar pela situação dos hospitais públicos onde as pessoas se amontoam nos corredores? O “nada” pronunciado por Santa Teresa tem a ver com a confiança em Deus. Ainda que sejamos perturbados com esse barulho todo, permanece em nós a certeza de que Deus é maior e que, com Ele, nada vai nos vencer.

[TUDO PASSA]

Não consigo deixar de me lembrar de uma tatuagem feita no pescoço do jogador Neymar Jr. O “tudo passa” colocado ali naquele lugar talvez tenha um significado diferente daquilo que entendo vir do conselho da Santa de Ávila, na Espanha. Ele vive no luxo, ganha milhões, rodeado de bajuladores, capaz até de fazer uma moça deixar o Brasil para encontrá-lo para um encontro sexual em Paris. Tenho comigo que a frase tenha mais a ver com uma verdade imponderável: o movimento da vida não deixa, de pé, pedra sobre pedra. Observe como tudo passa com o nosso corpo. A idade chega, e, tudo muda, tudo passa. Quem já se deleitou com o espelho começa a ver que as rugas apareceram cedo demais. Observe também o movimento das sociedades. Tudo passa. Quem iria imaginar que a elegância do Obama fosse dar lugar, nos Estados Unidos, para um gorducho do cabelo estranho que fala mais do que deve? Ou que a sisuda Inglaterra fosse parar na mão de outro fulano do cabelo desarrumado que berra para sair da União Europeia e não consegue. Tudo passa. Santa Teresa nos adverte, na verdade, para a fragilidade de nossa vida. Por aqui, não há nada que seja absolutamente seguro e definitivo.

[DEUS NÃO MUDA]

Se existe uma coisa que traz pavor na condição é que mudamos muito, mudamos sempre. Aquela pessoa que hoje parece amar a gente, daqui a pouco pode descobrir que não nos ama mais. A gente mesmo, de repente, começa a não sentir mais o mesmo apreço que tinha por alguém. Essas mudanças, principalmente quando são relacionadas com o afeto, são causadoras de muita insegurança. Tenho acompanhado tantas pessoas que parecem felizes e, de repente, vão descobrindo que não era exatamente aquilo que queria para a vida delas e ai, mesmo sem culpa, saem passando por cima de grandes histórias vividas com muita verdade. Diante dessa realidade humana, a frase de Santa Tereza traz alívio e contentamento: Deus não muda. Da parte de Deus haverá sempre a mesma atitude de amor e de bem querer em relação a todos os seus filhos e filhas. Da parte de Deus existirá, hoje e por toda eternidade, um colo cheio de misericórdia, de amor e de paz.

[DEUS BASTA]

Só Deus basta. Essa é a oração de Santa Teresa. É preciso nos convencer disso. A felicidade está escondida nesta afirmação. Na proclamação de Santa Teresa como Doutora da Igreja, o saudoso Paulo VI disse que a mensagem dela “chega até nós que nos sentimos tentados pelo grande rumor do mundo exterior e pelo empenho com que ele se dá às preocupações da vida moderna, com o risco de perder os verdadeiros tesouros da nossa alma, na conquista dos sedutores tesouros da terra. Chega até nós, filhos do nosso tempo, numa época em que se vão perdendo não só o hábito do colóquio com Deus, mas também o sentido da necessidade e do dever de O adorar e invocar. Chega até nós a mensagem da oração, canto e música do espírito, embebido da graça e aberto à conversação da fé, da esperança e da caridade, enquanto a investigação psicanalítica desagrega o instrumento frágil e complicado, que somos nós, não para tirar dele as vozes da humanidade sofredora e redimida, mas para auscultar o turvo rumor do seu subconsciente animal e o clamor das suas paixões desordenadas e da sua angústia desesperada. Chega até nós a mensagem sublime e simples de oração da sábia Santa Teresa”.