EDITORIAL

GUILHERME SILVA GUEDES, 15 ANOS

Nos últimos dias, ouvimos no rádio as novidades em relação a um caso que envolvem adultos e um adolescente resultando em morte. Um garoto de 15 anos de idade foi morto por adultos com dois tiros na cabeça. Há crueldade maior? Há covardia maior? O que fizemos da nossa história como família humana nessa terra? E pelo andar da carruagem, este caso vai apenas se juntar a tantos outros casos abjetos sem nenhum tipo de reflexão mais importante por parte da sociedade. Vai se tornar apenas um nome a mais na indecente lista de crianças e adolescentes mortos todos os dias nesse país que morre de medo de ser livre e se agarra a salvadores ridículos.

Nos relatos do assassinato, conta-se, no rádio, que o adolescente teria roubado alguns carregadores de celular. É esse o preço de uma vida: carregador de celular. É essa a forma de reeducar os jovens que sabe lá como vai se entrincheirar-se nas valas da delinquência. Matar parece ser a solução rápida e eficaz. É como se o adulto assassino dissesse ao mundo: “este está liquidado, não vai mais cometer esse erro”. Talvez esse adulto que matou o garoto tenha filhos, ou seja tio de meninos. Ou tenha amigos queridos que tenha filhos com 15 anos de idade. Mas, isso não importou. Ele só olhou para sua tarefa asquerosa, não para a sua vida.

Também, ainda pelas ondas do rádio, chegam informações novas de que os adultos que assassinaram o garoto podem ter confundido e matado a pessoa errada. Pronto: a tragédia se desdobra em duas. A primeira de terem colhido os sonhos de uma vida tão tenra e golpeado de morte toda uma família que agora se debruça sobre um túmulo. E segundo, que mesmo que tivessem acertado a cabeça do menino infrator, continuariam sendo protagonistas de uma história demoníaca. E o pior é que essa gente dorme.