EDITORIAL

VACINA E SANEAMENTO

Em torno da palavra “vacina” estão se reunindo muitas das nossas esperanças. É legítimo. Quem de nós não quer saber que se está seguro de não contaminar com um vírus que pode ser  letal? Seria importante pensar, no entanto, que junto da vacina precisamos colocar em foco e, quem sabem também nos esperançar com outras metas tão importantes quanto. Saneamento básico para todos e com a presença ou a vigilância do Estado é uma dessas metas. A pandemia e o pandemônio como já foram chamados os dois terriveis fenômenos sanitário e político do nosso tempo não nos deixaram prestar atenção da maneira correta na forma como o Congresso discutiu e aprovou uma lei sobre esse tema.

A ideia de fundo é boa, mas o modo como foi encaminhado a solução do problema da falta de saneamente é muito discutível. O grupo UOL resumiu assim: “Defensores do projeto veem nele uma forma de atrair investimentos privados para levar água e esgoto a toda a população, melhorar a qualidade do serviço e estimular a retomada da economia. Por outro lado, críticos afirmam que a privatização deve encarecer a conta de água, e que regiões periféricas não serão atendidas, porque dariam pouco ou nenhum lucro às empresas do setor”.

A considerar as privatizações, em geral, pouca coisa do que prometem quando fazem os negócios acontece e quando acontece é muito longe do que foi cantado em verso e prosa pelos que querem as iniciativas econômicas nas mãos apenas das empresas sem o devido controle do Estado. Empresa aqui ou na China (sim, lá em empresa) almeja lucro. Quem se ocupa de saúde da população é o Estado. Se uma determinada região não oferece condições dea empresa obter dividendos você acha que uma empresa vai se interessar em levar agua e esgoto para lá?

 

P. Rafael Vieira, 29.06.2020